O amido de milho foi inventado na Inglaterra em 1840 e era usado principalmente na indústria têxtil para encorpar os tecidos recém-saídos dos teares. Somente dois anos depois é que o produto virou um alimento, por iniciativa do americano Thomas Kingsford, embora continuasse mais popular nas lavanderias.

A marca Maizena foi criada nos Estados Unidos em 1854 por Wright Duryea, junto com os pais,  Hendrick Vanderbilt Duryea (perdeu um dos braços numa serra circular na infância) e Elizabeth Wright, e o irmão Hiram. Wright era o mais velho dos sete filhos. O nome inicial da empresa era Glen Cove Starch Company, que foi embrião da Corn Products Company (CPC).

O nome do amido de Duryea veio de “maize”. Cada região das Américas usava um nome para o cereal. “Maize” era o termo empregado pelos sioux e iroquês, povos que habitavam o território americano, e que foi  escolhido pelos colonizadores espanhóis para chamar o milho levado por Cristóvão Colombo para a Europa. Indiretamente o nome também foi baseado na palavra “maíz”, que significa “milho graúdo” em espanhol.  Vale destacar que não existe qualquer explicação oficial da empresa a respeito disso. Há quem defenda que o desenho serviria apenas para mostrar o vínculo entre povos originários da América e o milho.

Em 1874, o produto começou a chegar ao Brasil em sacos para a venda a granel em mercearias. A Maizena era produzida nos Estados Unidos e embalada no Brasil.

O engenheiro norte-americano L.E. Miner, representante da Corn Products Company, chegou na cidade de São Paulo em 1927 para analisar o mercado local. Sua missão: descobrir se era viável instalar uma fábrica de amido de milho no Brasil. Não precisou de muito tempo para tomar a decisão. Em 1930, a Refinações de Milho Brasil, subsidiária da CPC, abriu a primeira fábrica no Brasil e tentou proibir o nome Maizena em produtos que não levassem o produto original na receita. Mas já era tarde demais. O prazo legal para reclamação tinha expirado e o nome, já bastante popular entre os brasileiros, pode ser usado livremente por todos.

Durante a Segunda Guerra, por causa da escassez do trigo, que era importado, os padeiros começaram a usar Maizena para fazer pães e bolos. Os consumidores logo descobriram que ela servia também para engrossar caldos e preparar mingau. Foi assim que nasceram os famosos Biscoitos (Bolachas) Maizena. A CPC, dona da marca, fez uma campanha para aumentar o consumo de Maizena no Brasil também entre as donas de casa. O amido de milho chegou a ser usado até como substituto do talco.

De tão popular, a marca Maizena virou sinônimo de amido de milho. Hoje o mercado se divide em indústrias que escrevem Maizena (com Z) e a forma aportuguesada Maisena (com S), que está nos dicionários. Em geral, quem usa a marca Maizena coloca no rótulo, em letras minúsculas, a informação: “uso autorizado pelo titular da marca”.

A centenária caixa é amarela para remeter aos grãos de milho. O Analista de Bagé, personagem do escritor gaúcho Luís Fernando Veríssimo, costuma dizer que é “freudiano de carregar bandeirinha, mais ortodoxo do que rótulo de Maizena”.