As companhias aéreas surgiram logo depois da Primeira Guerra Mundial, criadas por ex-pilotos dos Exércitos. O propósito inicial era transportar correspondência – não passageiros. Como o transporte humano era ocasional (e não muito valorizado pelos donos das companhias), a preocupação com a fome e bem-estar dos clientes não era comum. O que costumava acontecer? Os próprios funcionários dividiam um lanche ou uma garrafa de café com quem estivesse no voo.

Primeiro avião da Pan Am (Fokker F-VII de 1929): transporte de correspondências era mais forte que o transporte de passageiros. As companhias americanas foram pioneiras do serviço de bordo. Em 1934, a United Airlines reconheceu que oferecer refeições durante voos era uma boa estratégia de marketing para atrair clientes. A iniciativa teve dois propósitos: enganar a fome e passar o tempo dos passageiros. A companhia montou uma cozinha própria em cada aeroporto onde atuava, e levava para dentro do avião os pratos já prontos para serem servidos. Dois anos depois, a mesma United foi a primeira a ter uma cozinha a bordo. O recém-lançado DC-3 não possuía força elétrica para que comidas e bebidas pudessem ser esquentadas ou resfriadas, então o jeito era usar recipientes térmicos para preservar a temperatura dos produtos. Como ainda não havia mesinhas nos assentos individuais, as bandejas eram apoiadas em um travesseiro no colo do passageiro.

Armazenamento de comida a bordo (anos 30): Em 1937, a American Airlines contratou a empresa que viria a ser a primeira fornecedora de comida de avião. A rede de serviços Marriott, que tinha uma loja em frente ao aeroporto de Washington (Washington National Airport), passou a fornecer café e doces à companhia aérea, que abastecia a cozinha dos aviões todas as manhãs.

A Pan American Airways inventou, ainda nos anos 1930, uma forma de servir café quente a seus passageiros sem precisar de energia elétrica. A bordo do Boeing 317 foi montado um esquema de circulação de glicol, que era esquentado pelo próprio motor do avião, e então usado para ferver a água. Quanto à comida, a companhia optou por encomendá-la de restaurantes locais de renome. Em voos longos, entretanto, as más condições de armazenamento obrigavam a Pan Am a servir enlatados.

Em 1945, a Pan Am instalou em seus aviões um forno de convecção – que faz circular ar aquecido por meio de um ventilador –, onde cabiam apenas seis refeições de cada vez. É mérito da companhia a primeira refeição feita a bordo com comida congelada. Foi servida em 1946 e era composta por carne, batatas e vegetais. Dois anos depois, com a chegada dos fornos de micro-ondas, os de convecção foram deixados de lado e o problema de se esquentar comida a bordo foi finalmente resolvido.

Cozinha de bordo no fim dos anos 1940 (United Airlines): Em 1948, foram criadas a classe econômica e a primeira classe. A partir de então, os produtos oferecidos à classe econômica tiveram sua qualidade reduzida, enquanto os que pagavam mais caro podiam desfrutar de serviços luxuosos. A Pan American Airlines foi pioneira na diferenciação da comida de avião da primeira classe em relação à econômica.