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Por que o feijão carioca não é o mais consumido no Rio de Janeiro?

24 de abril de 2019

O feijão carioca ou carioquinha, aquele marrom-rajado, é o mais consumido pelos brasileiros. Corresponde a 60% do consumo geral. Praticamente de norte a sul ele é o preferido para acompanhar o arroz nas refeições diárias. Dentre as poucas exceções está, curiosamente, o Rio de Janeiro: os cariocas dão preferência para o feijão preto, que no resto do país costuma ser usado apenas para feijoada. Ele também não é o campeão nas mesas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Espírito Santo.

Na verdade, a preferência por determinados tipos de feijão vêm do século XIX. Os Estados pelos quais caminharam os bandeirantes assimilaram rapidamente o gosto pelo feijão-comum. Criado por bandeirantes e tropeiros paulistas, o feijão-tropeiro é um prato que mistura farinha de mandioca, torresmo, linguiça, ovos, alho, cebola e temperos ao feijão. No Rio de Janeiro, a invenção da feijoada popularizou o feijão preto e desde então os cariocas não abandonaram essa preferência.

Mas por que, então, o feijão marrom-rajado recebeu o nome de “carioca”? Em primeiro lugar, é preciso dizer que esta variação é relativamente nova, foi descoberta no ano de 1971 numa fazenda no interior de São Paulo. Seus produtores se surpreenderam com a alta produtividade dessa mutação genética. Notaram também uma certa semelhança entre os grãos e uma raça de porco caipira, com pelagem marrom clara e manchas escuras, que se chamava Carioca. Daí veio o nome. A história de que o nome teria nascido da semelhança do feijão com o desenho da calçada de Copacabana é lenda. Os produtores levaram a nova variedade para o Instituto Agronômico de Campinas para ser estudada.

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