pão de forma PullmanNeto de portugueses, o paulistano Manoel Corrêa de Souza Filho trabalhou como jardineiro e caminhoneiro antes de entrar no ramo da panificação. O padrasto era dono de uma padaria e ele se interessou em abrir seu próprio negócio. Manoel foi dono da Padaria Lisboa, no cruzamento das ruas José Maria Lisboa e Pamplona, nos Jardins, em São Paulo. Contou com a ajuda da mãe, Marta, que era ótima confeiteira. Tempos depois, ao ver uma reportagem sobre a novidade pão de forma numa revista americana, Manoel foi para os Estados Unidos (sem falar inglês) e voltou com novos planos.

Inaugurada em julho de 1950, a Pão Americano era a mais moderna panificadora de toda a América Latina. Foi a primeira com produção contínua de pães, tecnologia importada dos Estados Unidos. A Pão Americano foi inicialmente instalada na rua Augusta, 86, na capital paulista, empregando 25 funcionários para fazer o que uma padaria comum só conseguiria com 250 homens. Além da produção de mais pães em menos tempo, a higiene era muito maior, uma vez que o sistema era todo automatizado, sem contato manual. Com o novo e revolucionário processo de panificação mecanizada, em 1953, pela primeira vez no Brasil, surgia o pão de forma: o Pão Pullman.

Por que o Pão Pullman ganhou esse nome? A história começa em 1864 com o engenheiro americano George Pullman. Ele nunca fabricou pão, mas é importante conhecer sua história. George Pullman criou uma empresa para produzir vagões de trens, a Pullman Palace Car Company. Mas não vagões comuns. Ele desenvolveu vagões dormitórios. Pagando cinco vezes mais que um assento normal, os viajantes poderiam ir deitados. Esses vagões acabaram sendo apelidados de vagões Pullman. Quando o pão de forma foi lançado no mercado brasileiro, alguém percebeu que essa embalagem retangular lembrava e muito os vagões dormitórios de Pullman. Daí a escolha do nome.

Em 1957, foi necessária a abertura de uma filial no Rio de Janeiro, com uma fábrica para atender a região. Quatro anos depois, em 1961, a empresa de São Paulo deixava de ser uma panificadora para se transformar em indústria.

Quem inventou o pão de forma? Ele surgiu em 1912, criação do americano Otto Frederick Rohwedder. Na verdade, ele foi o inventor de um protótipo de fatiadora feito com ganchos de prender cabelo que cortava o pão e mantinha os pedaços juntos. A máquina completa, porém, só ficaria pronta em 1928. Ela seria acoplada a uma embaladora. Apesar da demora na aceitação, o aparato de Rohwedder fez enorme sucesso. No final dos anos 1930, mais de 80% do pão consumido nos Estados Unidos era pré-fatiado.

Quem é a Ana Maria dos bolinhos Ana Maria? O produto foi lançado em 1976. Procurando na internet, eu cheguei a encontrar que o bolinho recebeu o nome da filha de Manoel Correa de Souza Filho, fundador da Pullman. Está errado. Ele teve cinco filhos, só uma mulher: Emília, Manoel, Roberto, Rui e Cássio. Nenhuma Ana Maria. Seria o nome de sua mulher? Manoel se casou três vezes: Helena, Eva e Maria Helena. Também não. Então de onde veio o nome? Numa viagem aos Estados Unidos, Manoel voltou com receitas de vários produtos para serem lançados no Brasil: bolo, rocambole e bolinhos recheados. Os bolinhos de pão de ló recheados são chamados nos Estados Unidos de Mary Ann. Ao trazer a receita na bagagem, Manoel simplesmente traduziu o nome Mary Ann para Ana Maria. Quem é a Mary Ann? Uma reportagem do jornal “The New York Times” procurou, procurou e revelou que não encontrou: “Nunca conseguimos identificar a origem do nome deste bolo e daríamos tudo para saber”.

Qual foi a origem da Brico Bread? Ao vender a Pullman, em 1993, Manoel continuou no ramo da panificação, realizando um velho sonho: produzir pão pré-assado ultracongelado, que tinha conhecido numa feira de panificação na Alemanha. Criou a marca Brico Bread. O nome Brico vem de Brioche Company. Manoel faleceu em 2006, aos 86 anos. A CEO da Brico Bread é uma de suas netas, Anna Paula Ferraz de Souza Junqueira. O curioso é que não havia nenhuma Ana na família antes da chegada do bolinho Ana Maria. Hoje, das sete netas de Manoel, cinco carregam Ana no nome: a própria Anna Paula, mais Anna Elisa, Anna Carolina, Ana Helena e Mariana.

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