No começo do século XX, o veado nem era usado como animal-símbolo de chacota aos homossexuais. Era veado com “e” mesmo. Pelo contrário, era até nome de uma famosa marca de cigarro “para chique ou pé-rapado”, como dizia seu jingle.
Os cigarros da marca Veado eram feitos no Rio de Janeiro pela Imperial Estabelecimento de Fumo, a primeira fábrica de cigarros do Brasil. Foi fundada pelo português José Francisco Corrêa, o Conde de Agrolongo. Ele nasceu em 1853 em São Lourenço de Sande, no conselho de Guimarães, ao norte de Portugal.
O Conde veio para o Brasil com 10 anos na terceira classe de um navio chamado Félix. Foi trabalhar em uma manufatura de cigarros em Niterói e começou a administrar seu próprio negócio aos 18 anos – a produção dos cigarros Veado, feitos à semelhança do fumo francês. Os títulos de nobreza vieram com seu retorno a Portugal, onde ele faleceu em 1929.
Em 1930, a Companhia da Cigarros Veado promoveu um concurso para eleger o “Leader dos Footballers do Brasil”, ou seja, o mais popular jogador de futebol brasileiro. Para votar, o consumidor usava como cédula um maço vazio de qualquer cigarro da marca – como o modelo Monroe, que dava nome à competição. Uma das urnas de votação ficava em frente ao jornal “Diário da Noite” e outro na sede da fábrica. Esta foto mostra o prédio da Companhia de Cigarros Veado na Rua da Assembléia, no centro do Rio de Janeiro. Tente localizar na construção as três imagens da cabeça do animal.
O prêmio era um carro “baratinha”, da fabricante Chrysler. Quem votasse também concorria a prêmios de até 7 contos de réis. Os favoritos à competição eram os jogadores Fortes, do Flamengo, e Russinho, do Vasco da Gama. Russinho venceu com 2.900.649 votos. Cerca de 6 milhões de maços Veado foram vendidos por causa da promoção.
O “Grande Concurso Nacional Monroe” até inspirou o sambista Noel Rosa a criar a música Quem dá mais?, cuja letra diz: “Ninguém dá mais de um conto de réis?/ O Vasco paga o lote na batata/ E em vez da barata/ Oferece ao Russinho uma mulata”.

Foram os primeiros gênios do marketing com esta idéia da eleição do jogador.
Se uma cervejaria hoje fizesse uma eleição do “Veado do Brasil”, utilizando-se um rótulo destacado da garrafa, a iniciativa seria impactante e hilária.
Talvez viesse um processo dos que se sentissem incomodados, mas daí seria história para o futuro.
E na letra da música, Noel diz que o leiloeiro é quem deveria ganhar o prêmio!
Muito legal este resgate, o curioso é que ninguém comentou ainda por temor de ser associado: gente, quem não deve não teme! kkkk.
Tenho uma coleção de fotos antigas dos fumos e Cigarros da marca Veado. Terá algum valor? Gostaria de vender
tenho uma caixinha de ferro com imagens do canal do mangue ,da Glória e do pão de assucar com mais de 130anos foi minha avô que ganhou de um padrinho e hoje me deu como presente por saber que amo relíquias
Tenho uma caixa de alumínio desta empresa
Otimo estado… se alguem interessar
SOU COLECIONADOR SE ALGUEM TIVER MARCAS ANTIGAS EU COMPRO MEU WHTSAPP 27 999932774 ALCENIR.
Sou ainda da família do sr Francisco José e escrevo para dizer que o nome não está correto. Nao é Correia mas sim COORRÊA. Se tiverem problemas falem com a Camara Municipal de Braga/ Portugal onde darão todas as informações sobre o nome. Há la um local chamado Campo da Vinha ou largo Conde de Agrolongo que tem um busto desse benemerito da cidade, e o nome está correto. Agradeço a rectificação. Muito obrigada.
Olá, Claudia
Pedimos desculpas pelo erro. Já fizemos a alteração.
Abraços
Muito obrigada. Mas vi agora que escrevi Coorrêa e é corrêa.desculpem o engano.