Quem é louco por futebol aprendeu a admirar Luiz Fernando Bindi. Foi um dos caras mais apaixonados por futebol que conheci. Bindi faleceu no meio da tarde de hoje, vítima de um ataque de coração. Coração palmeirense, como ele gostava de dizer.

Há quatro anos, Bindi foi entrevistado por mim pela primeira vez na Rádio Bandeirantes para falar do site que tinha acabado de criar: www.distintivos.com.br

Ele exibia, com orgulho, os álbuns com os escudinhos que vinha guardando desde a infância. Contou a história do dia em que um avião caiu perto de sua casa e ele ligou desesperado para a mãe. Primeiro para saber se ela estava bem, e depois para se certificar de que a coleção estava salva. Tinha cerca de 50 mil distintivos, 25 129 deles postados num site que virou referência mundial.

Numa nova participação no programa “Fanáticos por Futebol”, na Rádio Bandeirantes, eu o convidei para fazer um quadro no programa. Criamos os quadros “Desafio a Luiz Fernando Bindi” e “Futebol é uma Caixinha de Surpresas”. Em todas as suas participações, ele dava aulas de conhecimento. Não só de futebol, mas de geografia e história, duas outras paixões. Bindi tinha a mania de telefonar para embaixadas e consulados para saber as pronúncias corretas dos nomes dos jogadores de qualquer lugar do mundo.

Num e-mail que me enviou há coisa de dois ou três meses, Bindi, geógrafo de formação, me contou que nunca esteve tão feliz. Um sonho atrás do outro vinha se realizando.

Lançou no ano passado o livro “Futebol é uma Caixinha de Surpresas” pela Panda Books. E já estava terminando o segundo, com histórias curiosas de 200 escudos.

Há dois anos, comentou um jogo do Juventus, sua segunda paixão, no microfone da Bandeirantes. A partida foi na Rua Javari, ali na Mooca, bairro em que Bindi nasceu e sempre morou. Além de manter seu próprio blog, escrevia para o site “Trivela”, era colunista do blog de Vitor Birner, da CBN, e participava do programa Beting & Beting, na BandSports. Comentava jogos pela 105 FM. Teve a honra de comentar Palmeiras 5 x Ponte Preta, partida que deu o título de campeão paulista ao Verdão.

Quem também está de luto é a turma dos “Jogos Perdidos”, grupo de amigos que se reúne para ver jogos aparentemente sem qualquer importância. Bindi era figura cativa. Bindi não ia sozinho a esses jogos, não. Era sempre acompanhado pela mulher, Eliana Gonçalves Bindi, apaixonada pelas loucuras do marido. Ia sem problemas a São Vicente ou Indaiatuba para ver jogos da quarta, quinta divisão. Bindi repetia sempre: “Assisto a todos os jogos que consigo, da Premier League até a 4ª divisão da Itália, passando por futebol do interior de São Paulo e do interior da Indonésia”.

Ao perder amigos como o Bindi é que a gente se dá conta de que a vida também é uma caixinha de surpresas.