A fábrica de Chocolates Gardano foi fundada pelos imigrantes italianos Carlo Mario Gardano e Corina Anna Siletto em 1921, no bairro da Mooca, em São Paulo. Os dois se conheceram numa pequena fábrica de chocolates em Turim, na Itália. Carlo e Corina casaram-se em 1916. Naquele mesmo ano, para fugir da Primeira Guerra Mundial, escolheram morar no Brasil. Inicialmente, em 1918, abriram uma pequena loja de bombons e doces em Santos (SP).

Os carros-chefes da marca Gardano foram o chocolate Alpino (que, no início, era chamado de Alpinos), a bala Mentex e o chocolate em pó (que ficou conhecido popularmente como “Chocolate do Padre”). A Gardano acabou vendida para a Nestlé em 1957. Um ano depois da venda, os filhos de Carlo e Corina, Ézio e Paulo, fundaram a Dulcora, no quilômetro 22 da Via Anchieta, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. A ideia era produzir balas, bombons, chocolates.

O nome Dulcora veio da junção de “dulce” (doce em italiano) e “cora” (apelido de Corina, matriarca da família). O slogan mais conhecido do produto era “Dulcora, a delícia que o paladar adora”.

Mas o que fez mesmo sucesso foi o Drops Dulcora. Havia vários sabores: abacaxi, anis, cereja, cevada, chocolate, cirano (butter rum), hortelã, laranja, limão, morango e tangerina. Mas a embalagem mista era a campeã de vendas.

Uma das máquinas era a embrulhadeira, responsável por embrulhar os dez drops da embalagem um a um. Em 1972, a Dulcora dominava 70% do mercado de drops do país. Nessa época, a Dulcora se endividou muito para lançar novos produtos, que não fizeram o mesmo sucesso. A empresa teve sua falência decretada em 1980. A marca Dulcora foi vendida para a Q-Refresko, que relançou o drops em 1985. Mas o retorno foi breve e o Dulcora desapareceu do mercado na década seguinte.

Mais uma curiosidade: Marisa Letícia Lula da Silva, ex-primeira-dama brasileira, trabalhou na Dulcora. Com autorização do pai, ela começou na fábrica em 1963, aos 13 anos, na função de embaladora de bombons. Permaneceu na empresa até os 19 anos.