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Manoel Dias de Abreu (1892-1962)

24 de abril de 2019

 

Manoel Dias de Abreu nasceu em 4 de janeiro de 1892. Filho de Júlio Antunes de Abreu, um português de Minho, e de Mercedes da Rocha Dias, de Sorocaba, ele se formou médico pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1913. No ano seguinte, acompanhado dos pais, do irmão Júlio Antunes de Abreu Júnior e da irmã Mercedes Dias de Abreu, partiu para a Europa a fim de aperfeiçoar os estudos. Por causa da Primeira Guerra Mundial, a família teve que permanecer em Lisboa até poder mudar-se definitivamente para Paris.

Trabalhando no Nouvel Hôpital de la Pitié, junto com o professor Gaston Lion, ficou encarregado de fotografar peças cirúrgicas. Então, ele desenvolveu um dispositivo para fotografar a mucosa gástrica. O jovem Abreu foi se envolvendo com a radiografia, criada pelo médico alemão Roentgen, em 1895. Certa vez, ele ficou fascinado com um diagnóstico radiológico de tuberculose. O paciente já havia passado por outros exames que nada haviam detectado.

Abreu tornou-se chefe do Laboratório Central de Radiologia do Hotel-Dieu quando o titular do posto, doutor Guilleminot, afastou-se para servir na guerra. Manoel de Abreu aperfeiçoou-se em radiologia pulmonar quando foi assistente do professor Maingot, no Hospital Laennec, em Paris. Em 1919, apesar de já possuir conhecimento para desenvolver a abreugrafia, faltavam-lhe recursos técnicos. Ele defendia a utilização da radiofotografia como forma de diagnosticar a tuberculose, doença bastante comum na época.

Quando voltou ao Brasil, foi recebido por uma epidemia de tuberculose que assolava o Rio de Janeiro, em 1922. Sua influência proporcionou a instalação, no Rio de Janeiro, do primeiro serviço de radiologia destinado ao diagnóstico da doença. Passou a década de 1920 desenvolvendo estudos sobre a formação da imagem, que resultaram na radiogeometria. Abreu se casou em 1929 com Dulcie Evers, na casa de seus pais, em São Paulo. Quando assumiu a chefia do Serviço de Radiologia do Hospital Jesus, no Rio de Janeiro, decidiu criar a fluorografia por causa dos numerosos casos de crianças com tuberculose.

Numa noite de 1936, as imagens das primeiras fluorografias apareceram nítidas. No início, a fluorografia recebeu nomes como fotofluorografia, radiografia e Roentgenfotografia. O nome abreugrafia foi sugerido pelo médico Ary Miranda, presidente do I Congresso Nacional de Tuberculose, realizado em 1939. O termo tornou-se obrigatório em São Paulo no ano de 1958. O prefeito Ademar de Barros, a exemplo do presidente Juscelino Kubitschek, determinou que as repartições públicas usassem o nome abreugrafia para designar o exame e instituiu o dia 4 de janeiro, nascimento de Manoel de Abreu, como o Dia da Abreugrafia.

Sua obra estimulou a criação da Sociedade Brasileira de Abreugrafia em 1957 e a publicação da Revista Brasileira de Abreugrafia. Manoel de Abreu morreu de câncer de pulmão em 30 de abril de 1962.

 

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