Sexta, sábado e domingo, 650 cantores disputarão o Campeonato Paulista de Karaokê, que chega à sua 23ª edição. Para subir ao palco da Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e Assistência Social, os finalistas passaram por 15 eliminatórias das regionais filiadas à União Paulista de Karaokê. Foram 3 mil inscritos no total. “São todos amadores”, afirma Sergio Teruya, coordenador-geral da UPK (União Paulista de Karaokê). “Alguns eventualmente fazem apresentações públicas, mas nenhum deles é profissional”. Nos dois primeiros dias, eles disputarão as semifinais de suas respectivas categorias – são 38 e um “Grand Prix”, como é chamada a competição principal. A divisão é feita por faixa etária dos participantes – as disputas envolvem desde crianças de 2 anos até veteranos nonagenários – e também pelas músicas . As finais acontecerão no domingo. E nada de decidir o vencedor pela avaliação artificial da máquina de karaokê. Um júri formado por 40 professores de música irá avaliar a performance dos competidores. Detalhe importante: todas as canções devem ser interpretadas em japonês. “Cada cantor escolhe a sua. Teremos desde as mais tradicionais, passando pelas românticas e chegando ao  J-Pop”, explica Marino Uehara, presidente da comissão organizadora do Paulistão.

Ao contrário do que acontece numa sala de karaokê, os cantores não terão auxílio da letra e da bolinha que vai dando o ritmo da canção. Nove dos 40 jurados, por sinal, têm uma missão complicada. Eles possuem cópias das letras em japonês e quem deixar de cantar uma mísera sílaba já sai atrás na disputa. Uehara garante que muitos participantes decoram apenas a pronúncia das palavras, pois não sabem falar em japonês.

A tradição dos karaokês começou justamente com os imigrantes. No início, antes do advento do videokê, os japoneses se divertiam soltando a voz acompanhados por bandas. Até hoje há um concurso em São Paulo chamado “Zenpaku”. Promovido pela Associação Nipo-Brasileira de Cultura Musical, ele será realizado pela 64ª vez no dia 4 de junho. O conceito é bem parecido com o do Paulistão, com a diferença de que, em vez de um playback, o acompanhamento é feito por uma banda de verdade. Uma ironia, já que, em uma tradução literal, “karaokê” significa “sem orquestra”.

Apesar de mais novo, o Paulistão também já caiu nas graças da comunidade japonesa.  A primeira edição foi disputada em 1995 no Palácio de Convenções do Anhembi. De lá para cá, a competição passou por outras 16 cidades – a última delas foi Lins, a 425 quilômetros da capital. Neste ano, a competição volta para a maior cidade do país depois de 10 anos. Será a quinta edição em São Paulo e a terceira na Bunkyo (as outras foram em 1997 e 2004).
O evento terá um festival com barracas de comida e de produtos orientais. E o público, que promete ser grande, verá um novo campeão. O maior vencedor, Alexandre Hayafuji, tem seis títulos (incluindo o do ano passado), mas não irá participar esse ano. Ainda assim vale conferir se a Regional Leste confirmará sua tradição: além dos seis títulos de Grand Prix de Hayafuji, foram outras três conquistas individuais e 12 vitórias por equipes.
Quem se entusiasmar e quiser treinar para o Paulistão de 2018 pode procurar a UPK, que conta com 70 professores que oferecem aulas específicas de canto para o karaokê. “É uma herança dos nossos ancestrais que vieram ao Brasil”, explica Teruya. “Vem sendo perpetuado pelos descendentes porque é uma marca muito forte da nossa cultura”.
Serviço:
Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e Assistência Social
Rua São Joaquim, 381, Liberdade
Tel.: (11) 3208-1755
Sexta, a partir das 10h: Sábado e domingo, 8h
Ingressos: 1 quilo de alimento não perecível