“Bestiário” é o nome dado a uma grande lista de criaturas. No passado, esses livros tentavam catalogar todos os animais que existiam e explicar seus hábitos, sempre transmitindo uma lição de moral nos textos. Além de formas de vida conhecidas, como leões e pássaros, seres lendários também eram contemplados.

FÊNIX

O primeiro livro conhecido do tipo é o Fisiólogo, de autor anônimo, escrito em grego no século II. Uma tradução em latim do século IX, chamada “Fisiólogo de Berna”, era ilustrada e inspirou os bestiários, que se popularizariam na Idade Média. Já aparece ali a popular história de que a fênix renasce das cinzas no terceiro dia após sua morte. A tradição se estendeu até o Renascimento. O próprio Leonardo da Vinci escreveu um bestiário usando os hábitos dos animais como metáforas para aconselhar os leitores. Veja como ele relaciona uma ostra aos fofoqueiros:

Quando a lua está cheia, a ostra abre sua concha. Quando o caranguejo vê, coloca uma pedra ou vareta dentro da concha, impedindo-a de fechar novamente; e devora o animal. Acontece o mesmo com quem abre a boca para contar um segredo: torna-se vítima de um ouvinte indiscreto.

Hoje, a palavra “bestiário” é usada principalmente para se referir a seres fantásticos. Nos videogames, o bestiário geralmente é uma lista com todos os inimigos já enfrentados no jogo.Basilisco

Em 2001, a autora da série Harry Potter, J. K. Rowling, lançou  Animais fantásticos & onde habitam, com todos os bichos do universo do bruxinho, como as fadas mordentes, que são pequenas, cobertas de pelos e têm fileiras duplas de dentes venenosos. Outros deles, como o hipogrifo (com cabeça e asas de águia e corpo de cavalo) e o basilisco (cobra gigantesca que nasce de um ovo de galinha chocado por um sapo), foram emprestados de bestiários antigos.

O GATO QUE RI O escritor argentino Jorge Luis Borges também desenvolveu um bestiário moderno em 1957. O livro dos seres imaginários tem desde criaturas mitológicas, como a grega Hidra de Lerna, com suas nove cabeças; ou que figuravam na literatura, como o Gato de Cheshire, inventado por Lewis Carroll para as histórias de Alice no País das Maravilhas (1865).

Mais animais impressionantes podem ser encontrados no livro The mythic bestiary: The illustrated guide to the world’s most fantastical creatures, lançado em 2008 por Tony Allan. As 256 páginas contêm ilustrações e textos explicativos de entes mitológicos como a linda e perigosa Yuki-onna, que aterrorizava viajantes no Japão; e a serpente Amphisbaena, que tinha duas cabeças.