As Havaianas foram inventadas no Havaí? Não. Por volta de 1960, começaram a chegar do Oriente as Zoris, também chamadas de “sandálias japonesas”. Eram chinelos de dedo com tiras de tecido e sola de palha de arroz, usadas principalmente por agricultores japoneses. Inspirada nesse modelo, a São Paulo Alpargatas lançou em 14 de junho de 1962 um modelo de chinelo de dedo muito parecido, mas feito em borracha. A novidade foi batizada de Havaianas. Já reparou nessa textura que fica aqui na palmilha? A empresa diz que são pequenos grãos de arroz, uma referência às Zoris.
Naquela época, as praias do Havaí eram o destino dos sonhos, acessíveis apenas aos muito ricos. A ideia foi associar o chinelo, mesmo sendo um produto popular, à praia, ao mar e ao sol. E, por isso, a criação brasileira ganhou o nome de Havaianas.
As primeiras Havaianas eram apenas brancas com tiras azuis. Em 1969, por culpa de um erro no maquinário, as tiras ganharam uma nova cor: verde. Logo vieram outras Mas a grande reviravolta se deu em 1994 quando surfistas começaram a usar os chinelos virados. E a moda dos chinelos coloridos se alastrou. Foi o início do reposicionamento da marca, que deixou de ser um produto popular para se tornar descolado.
Na década de 1960, comerciais estrelados pelo humorista Chico Anysio – famoso por suas diversas caracterizações – consagraram o slogan “Legítimas só Havaianas”. Na propaganda, ele rejeita as imitações: “Eu quero Havaianas, as legítimas – que não deformam, não soltam as tiras e não têm cheiro!”. A São Paulo Alpargatas tem, de fato, a patente da criação desde 1966. Os comerciais também ajudaram a popularizar a gíria “fajuta”.
O escocês Robert Fraser, liderando um grupo inglês, chega ao Brasil em 1907 para abrir a Fundação São Paulo Alpargatas Company. O principal produto eram as alpargatas, calçado em “estilo espanhol”, muito usado nas plantações de café. Fraser e o irmão já tinham fábricas na Argentina e no Uruguai.
São vendidos atualmente 250 milhões de pares em 100 países por ano.
