Projetos curiosos para a bandeira brasileira que não foram aprovados

18 de novembro de 2020

Comemoramos hoje o dia da bandeira! Foi nesta data, quatro dias depois de proclamada a República em 1889, que o marechal Deodoro da Fonseca sancionou o decreto que instituía projeto criado pelos republicanos Raimundo Teixeira Mendes e Décio Vilares como a nova bandeira nacional. Vale lembrar que D. Pedro I instituiu a primeira bandeira do Brasil em 18 de setembro de 1822, consagrando o padrão verde-amarelo da antiga bandeira imperial que até hoje está presente em nosso pavilhão nacional.

O geógrafo Tiago José Berg, autor do livro “Bandeiras de todos os países do mundo”, apresenta aqui cinco projetos curiosos que poderiam ter se tornando o símbolo máximo de nosso país.

Logo depois da adoção da bandeira imperial, houve críticas quanto ao novo símbolo que o Brasil havia adotado. Um dos primeiros projetos de reforma da bandeira foi o do almirante Rodrigo Pinto Guedes, futuro barão do Rio da Prata, que visava substituir o pavilhão imperial por outro que seria formado por cinco listas alternadas, sendo três azuis e duas vermelhas. A primeira delas, em azul, teria seis estrelas brancas, colocadas em dois grupos de três, ficando um espaço entre ambos; a segunda, em vermelho, apresentaria a figura da coroa imperial ao centro; a terceira, com sete estrelas brancas em campo azul; a quarta traria o escudo do Império sob a faixa vermelha, e a quinta apresentaria mais seis estrelas, dispostas como na primeira lista. As estrelas representavam as províncias.

Depois de proclamada a República no Brasil, surgiram outros projetos para a mudança do pavilhão nacional. Um dos mais conhecidos foi o de José Maria da Silva Paranhos Júnior – o barão do Rio Branco –, que lançou sua proposta para uma nova bandeira nas cores preta, branca e vermelha. Na faixa branca haveria um escudo verde com bordadura em azul ornado com 21 estrelas brancas. Ao centro foi colocada uma esfera armilar sobreposta à tradicional cruz da Ordem de Cristo, tal como a do antigo escudo imperial. Acima do escudo haveria um sol nascente, mantendo-se os ramos de café e de fumo atados com um laço.

Em 1º de setembro de 1892, o projeto nº 185, proposto pelo deputado Manuel Prisciliano de Oliveira Valadão, que contou com a assinatura de 14 deputados, foi submetido à Câmara dos Deputados. O texto visava manter o padrão do retângulo verde e do losango amarelo, retirando apenas as estrelas e a faixa branca da esfera da bandeira e colocando em seu lugar o brasão de armas da República na época, sob um fundo azul-marinho. Pela polêmica causada, o projeto foi logo arquivado.

Em 1933, ano em que se elaborava uma nova Constituição do Brasil, também floresceram projetos para reforma da bandeira nacional. Eurico de Góes, árduo contestador da bandeira republicana, propôs a manutenção do retângulo verde e do losango amarelo ao estilo imperial, mas, ao centro da bandeira, haveria a figura da cruz da Ordem de Cristo, evocando a tradição desse símbolo nas bandeiras desde o período colonial. Sobreposta à imagem da cruz, haveria uma esfera azul, tendo em sua borda uma orla composta por 21 estrelas brancas, simbolizando os estados e o Distrito Federal na época. Ao centro seria representada a constelação do Cruzeiro do Sul.

Outro projeto conhecido aparece no livro “Brazões e bandeiras do Brasil”, publicado em 1933 por Clóvis Ribeiro. Ele e o pintor José Wasth Rodrigues, especialista em heráldica, propuseram uma série de modelos para nova bandeira brasileira. Um dos mais curiosos era o de nº 3, no qual o losango da bandeira tocaria as bordas do retângulo (como na antiga bandeira imperial) e, no lugar da esfera e das constelações, haveria sobre um globo azul com figura da cruz da Ordem de Cristo e uma esfera armilar que estariam circundadas pelas estrelas, representando os estados brasileiros. O projeto ressaltava a conexão entre os símbolos do período colonial, imperial e republicano.

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