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Jogadores estrangeiros não estão para brincadeira

22 de maio de 2012

Na primeira rodada do Campeonato Brasileiro 2012, disputada no último domingo (20), brilhou a estrela de Herrera, atacante do Botafogo. O argentino, que já passou pelo Grêmio e pelo Corinthians, marcou três gols na virada sobre o São Paulo por 4 x 2. Ao final do jogo, Herrera foi abordado por um repórter da Rede Globo, que lhe perguntou que música ele gostaria de pedir no Fantástico (Uma explicação:  todo jogador que marca três gols em uma partida tem o direito de escolher a trilha sonora do quadro de gols do programa de domingo da emissora). A resposta de Herrera constrangeu o jornalista: “Música pra quê? Não, não peço música nenhuma”.

De uns tempos para cá, a cobertura jornalística esportiva no Brasil tem adquirido certo tom humorístico. Jogadores pedem música para programas de entretenimento, repórteres fazem brincadeiras nos gramados e programas esportivos promovem competições de dancinhas de comemoração de gol. Os brasileiros entram na onda e aceitam participar de quadros divertidos, mas jogadores estrangeiros parecem não ter o mesmo senso de humor.
Ao lado de Herrera, o uruguaio Loco Abreu – também botafoguense – e o argentino Hernán Barcos, que joga pelo Palmeiras, já deram sinais em entrevistas que  não estão muito para brincadeira. Veja alguns desses momentos constrangedores:



Mas a pergunta é: por que os estrangeiros não costumam entrar no jogo dos nossos repórteres? Será que, em seus países, a cobertura esportiva é 100% séria? Maxi Friggieri, jornalista do Ole, periódico esportivo argentino, conta que por lá eles também abordam os jogadores de forma descontraída. A diferença é que isso não é feito em campo, logo depois do jogo. Friggieri conversou com o Blog do Curioso:
Blog do Curioso: Como funciona a cobertura de esportes na Argentina?
Maxi Friggieri: Nossa cobertura de esportes é muito diferente da do resto do mundo, mas o humor não deixa de estar presente. A transmissão do futebol fica a cargo do governo, que é o encarregado das entrevistas em campo. Eles abordam os jogadores com perguntas sobre a partida e os acontecimentos centrais do jogo. É só nos vestiários que o clima fica mais descontraído. Lá, os jogadores relaxam e se divertem.
Blog do Curioso: Qual é sua opinião sobre a cobertura esportiva informal que vem se destacando no jornalismo brasileiro?
Maxi Friggieri: Ao deixar o entrevistado relaxado, o jornalista pode conseguir boas declarações, resultando em um produto mais agradável para o telespectador. O entrosamento entre o repórter e o jogador é divertido para ambas as partes, e pode facilitar novas entrevistas. É uma forma de descontração usada por vários programas, rádios e jornais – inclusive o Ole.
Blog do Curioso: Você acha que o uso do humor pode reduzir o valor do jornalismo esportivo?
Maxi Friggieri: Absolutamente, não. O humor não joga contra o jornalismo. Pelo contrário – é uma ferramenta válida e efetiva para se fazer um bom produto.

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