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Bastidores e curiosidades na festa da 45ª edição da Bola de Prata

9 de dezembro de 2014

Durante dois meses, eu e Celso Unzelte fizemos o aquecimento com histórias e curiosidades nos 27 episódios da série “Bola de Prata de A a Z”. Até que ontem conhecemos os vencedores da 45ª Bola de Prata, prêmio idealizado em 1970 pelo jornalista Michel Laurence para premiar os melhores jogadores do Campeonato Brasileiro de futebol. Michel Laurence, falecido em outubro, foi homenageado no programa com um texto assinado por um de seus filhos, o também jornalista Bruno Laurence. Além dos vencedores, a sede da ESPN-Brasil, no bairro do Sumaré, em São Paulo, recebeu uma grande quantidade de ídolos do passado, escalados para entregar os prêmios. O primeiro a chegar foi Dadá Maravilha. Ele estava cobrindo o evento para o SBT de Minas Gerais. Veio com uma camisa homenageando o Atlético Mineiro, seu time de coração.

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Eu e Celso fizemos marcação cerrada em Dadá Maravilha. Pelo menos na festa não deixamos ele fazer gols

Também estavam presentes Zétti, Evair, Marques, Vampeta, Túlio, Edmílson, Pita e Marcos Assunção. “É a maior concentração de craques por metro quadrado”, comemorou João Palomino, vice-presidente de jornalismo da emissora, no início da transmissão. A festa foi apresentada por Dudu Monsanto e Juliana Veiga.

O estúdio da ESPN preparado para o Oscar do futebol brasileiro

O estúdio da ESPN preparado para o prêmio mais importante do futebol brasileiro

Goleiro
Marcelo Grohe (Grêmio) – nota 6,30
Era um dos mais felizes com o prêmio – o primeiro de sua carreira. Dedicou o troféu à mulher e à mãe, Ilse, que fazia aniversário ontem. Foi o segundo goleiro gremista a ganhar a Bola de Prata. O primeiro foi Victor, em 2009. Se existisse um Grenal dos goleiros da Bola de Prata, o Inter estaria vencendo por 4×2.

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Depois de oito anos na reserva, Marcelo Grohe tornou-se titular e garantiu sua primeira Bola de Prata

Lateral-direito
Marcos Rocha (Atlético Mineiro) – nota 6,05
Vencedor da Bola de Prata em 2012 e 2014, Marcos Rocha é o segundo lateral-direito bicampeão do prêmio com a camisa do Galo. Em 1970 e 1971, Humberto Monteiro faturou os troféus. Esta foto é de 2012, quando ele recebeu o prêmio das mãos do maestro João Carlos Martins. Em 2014, o ex-lateral Léo, vencedor de três Bolas de Prata, entregou o prêmio ao atleticano.

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Em 2012, Marcos Rocha recebeu o prêmio das mãos do maestro João Carlos Martins

Zagueiros
Gil (Corinthians) – nota 6,03
Foi o sexto zagueiro corintiano que conquistou uma Bola de Prata. A nota 6,03 de Gil está longe dos números de Gamarra em 1998. O paraguaio obteve a média de 6,80, a maior de um zagueiro desde a reformulação dos critérios de pontuação da Revista Placar, em 1995. Ambos foram premiados aos 27 anos. “Estou no auge da minha carreira, muito feliz de estar recebendo esse prêmio”, disse o zagueiro batizado pelo comentarista Alê Oliveira de “Gil Jitsu”. Os outros zagueiros corintianos vencedores foram Marcelo Djian (1990), Fábio Luciano (2002), Chicão (2010) e Paulo André (2011). Fábio Luciano entregou o troféu a Gil.

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Sério na zaga, tímido fora de campo: Gil foi pego pelo “CQC” antes de entrar na emissora

Rafael Tolói (São Paulo) – 6,03
É a 63ª Bola de um jogador são-paulino, o clube com mais premiações na história do troféu. Em 1986, das treze Bolas em disputa, o Tricolor levou oito – seis jogadores ganharam a Bola de Prata e Careca conquistou mais duas: a de Ouro e a de artilheiro. Se dependesse de Tolói, o São Paulo teria levado mais Bolas em 2014. “Acho que o Souza e o Denílson mereciam, o próprio Rogério Ceni também”, declarou o zagueiro. “Sou até suspeito para falar, mas todos que ganharam foram merecedores.” Tolói recebeu a Bola pelas mãos do pentacampeão Edmílson.

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Rafael Tolói dá entrevista na “zona mista”, área criada para receber os jornalistas que cobriram o evento

Lateral-esquerdo
Zé Roberto (Grêmio) – nota 6,03
É o ganhador com maior intervalo de tempo: 18 anos. Em 1996, com 22 anos, ganhou a Bola de Prata de melhor lateral-esquerdo pela Portuguesa. Agora, em 2014, aos 40 anos, venceu a mesma premiação, mas atuando pelo Grêmio – o ganhador mais velho da história é o goleiro Manga, com 41 anos, em 1978. No total, Zé Roberto possui três Bolas de Prata. “Estão todas guardadas em minha casa, eu cuido para que a de 1996 não enferruje”, contou Zé Roberto, que saiu apressado para embarcar em um voo com destino à Alemanha. Por isso nem deu para comentar com ele sobre a cabeleira que me fez lembrar o personagem Sideshow Bob, de Os Simpsons.

Até onde vai a evolução do imparável Zé Roberto?

Zé Roberto nas versões 1996 e 2014. O cabelo atual não lembra o personagem de Os Simpsons?

Volantes
Lucas Silva (Cruzeiro) – nota 6,10
Com 21 anos, Lucas Silva é o jogador mais novo que ganhou a Bola de Prata em 2014. Na história do prêmio, é o 8º volante mais jovem a faturar o troféu. Em 1994, o hoje comentarista Zé Elias conquistou a Bola de Prata atuando pelo Corinthians com 18 anos e 3 meses – o mais novo volante da história. “A Bola de Prata é o prêmio mais importante do vestiário, todo mundo quer ganhar, é um grande estímulo para quem é jovem”, discorreu Zé Elias. Só que o recorde de mais jovem premiado não é do corintiano, mas de Mauro Galvão, que conquistou a Bola de Prata em 1979 com 18 anos redondos. O troféu foi entregue por Marcos Assunção, vencedor da Bola de Prata de volante em 2011, pelo Palmeiras. Ele estava com 35 anos.

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Lucas Silva, sendo entrevistado por Juliana Veiga: oitavo volante mais jovem a faturar o troféu

Charles Aránguiz (Internacional) – nota 6,10
O volante chileno Aránguiz não viajou a São Paulo. Recebeu a Bola de Prata das mãos da repórter Gabriela Moreira em Porto Alegre. “O pessoal do Inter tinha alertado que ele é meio ‘bicho-do-mato’, avesso a badalações”, conta Sérgio Xavier Filho, diretor de redação da revista Placar. Aránguiz segue os passos de Elías Figueroa, o maior vencedor estrangeiro, com quatro Bolas de Prata e uma de Ouro. Ambos são chilenos e conquistaram o prêmio atuando pelo Internacional. Ao todo, 27 estrangeiros já ganharam Bolas de Prata (oito argentinos, oito uruguaios, quatro chilenos, três paraguaios, um colombiano, um peruano, um holandês e um sérvio).

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Aránguiz tornou-se o quarto chileno a receber a Bola de Prata

Meio-campistas
Ricardo Goulart – Bola de Ouro – (Cruzeiro) – nota 6,46
É a primeira vez que dois jogadores diferentes de um mesmo clube ganham a Bola de Ouro em anos consecutivos. Em 2013, quem levou o prêmio para casa foi Éverton Ribeiro, com média de 6,50 pontos. Neste ano, Goulart, de 25 anos, precisou de 6,32 pontos, para levar os prêmios. Goulart fez questão de se esquivar das comparações envolvendo o amigo. “O Everton é um jogador excelente, foi eleito o “Craque do Brasileirão” deste ano, fez por merecer também”, disse na saída da premiação. A Bola de Prata foi recebida das mãos do ex-atacante palmeirense Evair e a de Ouro foi entregue pelo comentarista dos canais ESPN e ídolo cruzeirense, Juan Pablo Sorín.

Na sala de imprensa, o teleprompter revelou o nome do ganhador da Bola de Ouro

Paulo Henrique Ganso (São Paulo) – nota 6,41
Com a nota conquistada em 2014, Ganso teria um lugar no meio-campo de todas as seleções da Bola de Prata desde 2003, quando começou o campeonato por pontos corridos – ainda conquistaria quatro Bolas de Ouro (2006, 2007, 2008 e 2009). “Eu fazia muitos poucos jogos, fazia com qualidade, mas não jogava tanto como hoje jogo pelo São Paulo, tenho mais regularidade”, explicou. “Espero que a Bola de Ouro venha em 2015, mas o Ricardo [Goulart] foi muito bem, está em boas mãos.” Sobre o troféu, entregue pelo ex-meia santista e são-paulino Pita, ele disse que “ela era mais bonita pessoalmente”.

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Ganso disse para nós que “a Bola de Prata era mais bonita pessoalmente”

Atacantes
Diego Tardelli (Atlético Mineiro) – nota 6,38
Com quatro troféus – três de melhor atacante e um de artilheiro -, Tardelli tornou-se o jogador do Galo com mais Bolas de Prata conquistadas. O atacante ultrapassou Toninho Cerezo, vencedor de três troféus prateados. “É muito legal ter superado grandes jogadores que vestiram a camisa do Atlético”, afirma Tardelli. “Se eu continuar no clube, espero aumentar o recorde”. Quem fez a entrega foi o ex-centroavante atleticano Marques, dono de duas Bolas de Prata.

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Marques, bicampeão da Bola de Prata, entrega o prêmio à Diego Tardelli, o maior vencedor atleticano da história

Paolo Guerrero (Corinthians) – nota 6,29
É o primeiro peruano a triunfar na Bola de Prata. Apesar da conquista andina, Guerrero refuta que o futebol peruano passou a ser mais respeitado no Brasil depois de sua chegada ao Corinthians. “Ultimamente não estamos classificando para as Copas, faz muitos anos que não vamos para uma, mas estamos tentando”, afirma Guerrero, que gostaria de ver mais peruanos atuando no Brasil. “Sempre o peruano vai ser bem visto em todo lugar, tem uma técnica privilegiada, assim como o brasileiro.” Ele recebeu o prêmio das mãos do ídolo corintiano Vampeta. Detalhe: Guerrero foi o jogador que chegou cercado pelo maior estafe.

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Guerrero foi o primeiro peruano a ganhar a Bola de Prata. Vampeta fez a entrega

Artilheiro
Fred (Fluminense) – 18 gols
Com quatro troféus, igualou Romário no número de Bolas de Prata – duas de atacante e duas de artilheiro. Este ano, Fred não participou da festa, talvez ainda chateado pelas críticas que recebeu depois da Copa do Mundo no Brasil.

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Fred, em 2012: melhor atacante, ao lado de Lucas

Chuteira de Ouro – maior artilheiro do ano no futebol brasileiro
Barcos (Grêmio) e Fred (Fluminense) – 29 gols
Apesar de Magno Alves, do Ceará, ter marcado 37 gols em 2014, a Chuteira de Ouro foi dividida entre Fred, do Fluminense, e Hernán Barcos, do Grêmio, autores de 29 gols este ano. Os tentos são separados em duas categorias: peso 1 e peso 2. As competições em que o gol marcado vale dois pontos são Libertadores, Brasileirão Série A, Recopa Sul-Americana, Copa Sul-Americana, Copa do Brasil, Copa do Norte e os principais estaduais (MG, RJ, RS e SP). Para os outros campeonatos estaduais, a Série B e a Copa Verde, cada gol marcado vale um ponto. Pela primeira vez na história, a Chuteira de Ouro foi dividida por dois atacantes. Além disso, nunca um estrangeiro havia conquistado o prêmio. Quem fez a entrega foi o ex-centroavante Túlio, que tatuou “Gol 1000” no bíceps do braço direito.

Já que Fred não foi, somente Barcos recebeu a chuteira das mãos de Túlio Maravilha

Já que Fred não foi, somente Barcos recebeu a chuteira das mãos de Túlio Maravilha

(com colaboração de Lucas Strabko)

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