As agruras do comentarista de beisebol cego em jogos na pandemia

14 de setembro de 2020
O Tampa Bay Rays, time da Major Baseball League (liga profissional americana de beisebol), mantém uma rádio que transmite os jogos em espanhol para a comunidade latina. Enrique Oliu, 58 anos, é comentarista da rádio há 20 anos. Ele é cego de nascença.

O beisebol é o esporte número 1 da Nicarágua, sua terra natal. Ele saiu de casa em Matagalpa, cidade no centro do país, ainda menino para estudar em uma escola para cegos na Costa Rica (era a única na América Central na época). Cinco anos depois, sem saber uma palavra em inglês, Oliu foi morar com uma tia em St. Augustine, na Flórida, Estados Unidos, para estudar na Escola para Surdos e Cegos. Foi ali que ele aprendeu com um professor a visualizar o que estava ouvindo. Ao mesmo tempo, em casa, ouvia tudo de esportes no rádio e sonhava em se tornar um locutor. “Meu pai sempre dizia: não adianta falar que quer fazer, faça. Ninguém vai se importar se você é cego ou não. Então é melhor você ter determinação”.

Sem as referências durante a pandemia

Agora, durante a pandemia, os estádios estão vazios e Oliu perdeu as referências que vinham do campo e das arquibancadas. Os aplausos, as vaias, o barulho da luva do apanhador, o som da bola batendo no taco, a reação do público a cada ponto. Oliu visualiza o jogo com seus ouvidos afinados. O barulho artificial da multidão despejado pelos alto-falantes dos estádios não é páreo para nada disso. “Se uma formiga passar, Enrique pode ouvi-la”, diz o dominicano Ricardo Taveras, parceiro ao repórter James Wagner, do jornal “The New York Times”.



Depois de ganhar experiência em jogos de beisebol da categoria sênior e da liga secundária, Oliu chegou à MBL em 1998. Ele foi indicado por Orestes Destrade, que o conheceu na universidade, também na Flórida. O cubano Destrade é um ex-jogador da Major League Baseball. Passou pelo New York Yankees, Pittsburgh Pirates e Florida Marlins. Ele também trabalha agora na rádio Tampa Bay Rays

Oliu é um PVC do beisebol e usa seu conhecimento enciclopédico nas transmissões. Ele desfia histórias, casos engraçados e estatísticas. Antes da partida, Oliu conta com a ajuda da mulher, Debra Perry, para estudar o time do Rays e seus adversários. “O esporte é tudo na vida dele”, diz Debra. “Se duas baratas estiverem correndo, ele irá adorar fazer a narração”.

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