CARTA DE VÁZ DE CAMINHA

1. O escrivão oficial da esquadra de Cabral chamava-se Gonçalo Gil Barbosa. Mas a carta mais detalhada foi a de Pero Vaz de Caminha, que tinha 27 folhas e foi assinada na sexta-feira 1º de maio de 1500.

2. João Faras, médico e cosmógrafo que fazia parte da tripulação de Cabral, também escreveu uma carta a D. Manuel I, rei de Portugal, na mesma data. Não conseguiu a mesma notoriedade.

3. Caminha estava viajando para trabalhar como contador da feitoria de Calicute. Resolveu escrever uma carta para agradar ao rei Manuel I. É que seu genro, Jorge Osouro, havia sido condenado ao degredo na ilha de São Tomé por ter roubado uma igreja e por ter ferido o padre quatro anos antes. Caminha pedia o perdão para o genro – e foi atendido em 1501, quando o rei soube que o cronista havia sido morto pelos árabes no ataque à feitoria da Índia.

4. Na manhã de 2 de maio, Gaspar de Lemos voltou a Portugal, levando as cartas do Capitão-Mor Pedro Álvares Cabral, de outros capitães, do físico Mestre João e de Pero Vaz de Caminha, além de amostras da vegetação local, toras de pau-brasil, arcos e flechas, enfeites indígenas e papagaios de cores berrantes. Nesse mesmo dia, o resto da esquadra retomou o caminho das Índias.

5. A carta foi passada à Secretaria de Estado como documento secreto, para se evitar que chegasse aos espanhóis a notícia do descobrimento.

6. A carta de Pero Vaz foi redescoberta apenas em 1773 por José Seabra da Silva, guarda-mor dos arquivos da Torre do Tombo, em Portugal. Mesmo assim, ela demorou a ser publicada. Isso aconteceu em 1817, no livro Corografia Brasílica, do padre Aires do Casal.

7. Uma cópia do texto voltou ao Brasil nas mãos de Seabra da Silva, que acompanhou a vinda da Família Real, em 1808.

8. Em 1817, essa cópia foi encontrada no arquivo da Marinha Real do Rio de Janeiro pelo Padre Manuel Aires do Casal. Ele imprimiu o arquivo, tornando-o público pela primeira vez.

9. O documento ganhou importância no país em 1822, em razão da Independência. Tratava-se do manuscrito do primeiro registro da história do Brasil.

10. Alguns termos do português arcaico presentes na carta foram substituídos com o decorrer do tempo. É o caso de “achamento”, que foi trocado por “descobrimento”. Uma transcrição simples da carta original conteria trechos como este: “Posto que o capitam moor, desta vossa frota e asy os outros capitaães screpuam a vossa alteza a noua do achamento desta vossa terra noua que se ora neesta nauegaçam achou, nom leixarey tambem de dar disso minha comta avossa alteza asy como eu milhar poder aimda que pera o bem contar e falar o saiba pior que todos fazer.”