• O samba rural designa um conjunto de sambas que eram praticados no interior do Estado de São Paulo e em sua capital. Foi uma invenção dos negros escravos e ex-escravos, que costumavam executá-lo durante as romarias feitas em devoção a São Benedito e outros padroeiros. Reunidos nos barracões, onde se alojavam, eles promoviam disputas de improviso musical entre pessoas de cidades diferentes ao som de uma espécie de zabumba e de outros instrumentos de percussão. As letras falavam de coisas do dia-a-dia e continham dois ou quatro versos, que eram repetidos até que alguém entendesse a mensagem e respondesse. Uma dança de fileira acompanhava o batuque. Homens e mulheres se dividiam, e enquanto um grupo avançava, o outro recuava.
  • Segundo alguns pesquisadores, é a influência do samba rural no samba tocado hoje nos Carnavais paulistanos que explica o fato dele ser mais lento e cadenciado que o carioca. A referência mais antiga ao ritmo está presente em um documento escrito em uma fazenda de Piracicaba em 1856. Ele menciona uma festa de São João, onde podia se ouvir um samba tocado com zabumba.
  • Na capital paulista, o samba rural se misturou ao carioca e resultou no cordão, um tipo de bloco carnavalesco. Muitas das escolas de samba de São Paulo surgiram de cordões. Entre elas estão a Camisa Verde e Branco, a Vai-Vai e a Lavapés/Liberdade, considerada a escola mais antiga ainda em atividade. Eles desapareceram na década de 1960, quando os desfiles das escolas foram oficializados segundo os moldes do Carnaval do Rio de Janeiro.