Já escrevi aqui sobre várias excentricidades da culinária chinesa. Mas é preciso fazer justiça. Não vi chineses comendo espetinhos com escorpiões, cavalos marinhos ou centopéias. Quem se arrisca mesmo são os turistas e, principalmente, os jornalistas. Pequim tem uma quantidade incrível de bons restaurantes de todas as nacionalidades (principalmente de países asiáticos). Alguns oferecem pratos da culinária de outras regiões chinesas. Anteontem jantei num vietnamita.
As churrascarias “brasileiras” e o sistema de rodízio estão chegando a Pequim. Conheci ontem a “Gaúchos”, que fica dentro do Parque Chaoyang. Os garçons, todos chineses, ficam vestidos com trajes típicos. O bufê de saladas oferece também alguns pratos quentes. Mas os 18 tipos de carne são servidos na mesa. O cliente recebe um papel com os nomes de todas elas. A primeira foi, acredite, picanha! Estava passada demais. Depois desfilaram pela mesa alcatra, cupim, frango, lombo, coração de frango, peixe, lingüiça (bem picante), carneiro e até cervo. Os garçons cortam sempre porções pequenas.
Quando o espeto passa, o garçom risca a carne que trouxe. Cada uma é servida uma única vez. Ele não volta mais. Ninguém pergunta se você quer repetir alguma. O que eles fazem é apontar a mesa das sobremesas (frutas e bolinhos). O rodízio custa 128 yuans, mais 10% de serviço. Dá algo como R$ 35. Nada maravilhoso, mas é preciso lembrar que estamos na China.
Só a conta demorou um pouco. Os “gaúchos” estavam todos de olho na TV, que mostrava a cerimônia de premiação do tênis de mesa. Os chineses haviam ganhado o ouro e a prata. Pena que churrasco não seja modalidade olímpica…