“Não coma maionese na rua, meu filho. Já imaginou se o ovo estiver estragado?” Passei a infância ouvindo essa recomendação de minha mãe. Por isso, até hoje, não consigo comer maionese fora de casa. Morro de medo de encontrar um desses ovos estragados pela frente. Pois aqui em Pequim existe uma iguaria bastante apreciada que atende pelo nome de “ovo podre”. Na verdade, o prato tem outras denominações: ovo preservado, ovo dos 100 anos, ovo dos 1 000 anos. Bem, o mais importante é dizer que não se trata de um ovo comum. Trata-se de um ovo de pata, vendido em qualquer supermercado. Eles vêm embalados um a um. Para começar, a casca tem uma cor já meio acinzentada. Mas a principal surpresa aparece quando se tira a casca. A clara (que ironia!) é preta ou tem o aspecto de uma gelatina escura. A gema mistura tons verdes e cinzas. Como eles ficam assim? Os ovos ficam embalados por cerca de 100 dias numa palha com argila, cinzas, sal, cal e amido de arroz. Quando está cru, o ovo tem um cheiro repugnante! Mas, pronto, ele ganha o mesmo gosto de um ovo comum, só que com uma consistência que lembra um queijo cremoso. Existem duas formas tradicionais de saboreá-lo: fatiado e mergulhado no shoyu ou em pedacinhos dentro de uma sopa de arroz.
A caminho do restaurante chinês, encontrei o Marcos César, preparador físico da seleção brasileira de handebol masculino. Ele ficou desconfiado com o nome do prato, mas topou a parada. Experimentou com um pouco de medo, gostou e repetiu. Eu só comi um pedacinho. Costumo obedecer os conselhos de minha mãe.