Quem encontrou a resposta foi o quadrinista belga Thierry Smolderen. Depois de uma longa pesquisa, ele descobriu que o primeiro artista a usar esse recurso de usar símbolos para cobrir os palavrões foi William John Johnston, numa publicação americana obscura chamada “Lightning Flashes and Electric Dashes: A Volume of Choice Telegraphic Literature, Humor, Fun, Wit & Wisdom” [Relâmpagos e traços elétricos: um volume de literatura telegráfica, humor, diversão, sagacidade e sabedoria], de 1877.

Thierry Smolderen

Segundo o jornalista Marcelo Alencar, especialista em quadrinhos, esse primeiro exemplo era, na verdade, uma narrativa ilustrada, e não exatamente uma HQ.

Gene Carr

 

Em 1º de novembro de 1901, o cartunista americano Gene Carr (1881-1959)  usou esses rabiscos pela primeira vez numa tira de quadrinhos intitulada Lady Bountiful. Quem popularizou o recurso foi o germano-americano Rudolph Dirks (1877-1968), a partir do ano seguinte, nas aventuras de Os Sobrinhos do Capitão.

Os Sobrinhos do Capitão

 

Quem se valeu das “cobras e lagartos” com mais criatividade foi a dupla francesa René Goscinny-Albert Uderzo, os pais de Asterix, que adaptavam graficamente os xingamentos conforme a nacionalidade do xingador.

ASTERIX

O americano Mort Walker, criador do Recruta Zero, foi também um grande pesquisador do tema e usuário do recurso. Os diferentes símbolos tinham nomes: “nittles” (estrelas que explodem), “jarns” (tipos de espirais), “quimps” (desenhos astrológicos) e “grawlixes” (linhas onduladas). No final das contas, o termo “grawlixes” acabou servindo para se referir a todos em inglês.

RECRUTA ZERO