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O macaco tá certo! Programas que revolucionaram o humor na TV nos anos 1970

24 de junho de 2021

Três programas revolucionaram o humor na TV nos anos 1970. A criação dos três era assinada pela dupla Haroldo Barbosa e Max Nunes.

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“Faça Humor, Não Faça a Guerra”

Foto: Acervo/Globo

Começa em 1970 com o programa “Faça Humor, Não Faça Guerra”, exibido até 1973. O título era uma sátira à expressão “Faça Amor, Não Faça a Guerra”, recorrente no final dos anos 1960 e atribuída à cultura hippie. A concepção do programa era de Max Nunes e Haroldo Barbosa, que já haviam trabalhado juntos em “Balança, Mas Não Cai”, “Riso, Sinal Aberto” e “TV0, TV1”. Mas o desenvolvimento do texto ficou a cargo mesmo de uma outra dupla, Renato Côrte Real e Jô Soares.

O que diferenciava esse programa de tudo o que já havia sido feito de humor na TV era a agilidade. Quadros de no máximo 3 minutos, intercalados com piadas rápidas, muitas vezes unidas com aquilo que se chama de corte seco Renato e Jô interpretavam uma dupla de loucos, Lelé e DaCuca, que fez um grande sucesso. Jô criou o personagem Norminha, uma cantora hippie, que chegou até a lançar um LP. Norminha brincava com o símbolo “V” de paz e amor. Em vez de dois dedos, elas mostrava quatro, dizendo: “Paz, Amor, Som e Norminha”.

Nesse período, Jô Soares radicalizou no regime e baixou de 160 para 80 quilos.

“Satiricom”

Foto: Divulgação/Globo

O segundo programa foi “Satiricom”, que manteve a pegada de humor mais rápido e também satirizava muito mais o comportamento da sociedade. Dessa sátira surgiu o nome “Satiricom”, até como um componente de lembrança do filme “Satyricon” (1969), de Federico Fellini, de 1969. O elenco do humorístico era basicamente o mesmo de “Faça Humor, Não Faça a Guerra”. Renato Côrte Real, Jô Soares, Miele, Paulo Silvino receberam o reforço de Agildo Ribeiro.

O programa passou a criticar, também com sátira, o momento econômico turbulento que o país vivia, usando apenas a situação como comédia sem a necessidade da piada verbal. A partir de 1975, “Satiricom” passou a ser exibido em cores.

“O Planeta dos Homens”

Chegamos em 1976 com o programa “O Planeta dos Homens”, que tinha o comando de Agildo Ribeiro e Jô Soares. O título era uma sátira à série “O Planeta dos Macacos”. Para a sátira ficar completa, o programa era pontuado por um macaco chamado Sócrates. Esse personagem foi uma criação, de voz e de máscara, do comediante e humorista Orival Pessini. O programa tinha um componente de crítica política muito forte, mesmo estando ainda o país sob o regime militar. Com Sócrates vieram bordões como “o macaco tá certo” e “não precisa explicar… eu só queria entender”. Além de Sócrates, Pessini criou dois outros macacos, Charles e Dionísio, que também teciam críticas sérias ao governo.

O elenco de “O Planeta dos Homens” era grande. Contava com comediantes como Costinha, Paulo Silvino, Nuno Leal Maia, Berta Loran, Marcos Plonka e Cecil Thiré Eliezer Mota, Marília Pera e Marco Nanini.

Uma das marcas registradas de “O Planeta dos Homens” era o personagem interpretado por Jô Soares que tinha um amigo chamado Padilha (Martin Francisco). Jô não se conformava com o fato de Padilha, casado com uma mulher maravilhosa, nunca ficar em casa. O quadro popularizou o bordão: “Vai pra casa, Padilha!”.

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