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As séries esquecidas dos anos 1960

14 de maio de 2021

Os anos 1960 foram aqueles em que a TV brasileira teve o seu real crescimento. Na primeira metade dos anos 1950, só havia três emissoras. Nos anos 1960, elas já somavam cinco – inclusive a poderosa Excelsior. As emissoras passaram a incluir mais séries, nacionais e estrangeiras, aumentando a diversificação da programação. Os anos 1960 talvez tenham sido o período em que mais séries despontaram na TV. Muitas foram, e são até hoje, reprisadas. Outras voltaram em forma de remake. Mas existem também inúmeras que tiveram a sua época e por ali ficaram. Elas são lembradas agora pelo especialista Magalhães Júnior.

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Séries de caubói

“Patrulheiros do Oeste”
O nome original era “The Tales Of The Texas Rangers” (Os Contos dos Texas Rangers). No Brasil, a série começou a ser exibida pela TV Tupi de São Paulo apenas a partir de 1961 . O título foi adaptado para “Patrulheiros do Oeste” e sua exibição acontecia aos sábados às 20 horas. O patrocínio era do Toddy que, na época, liderava a venda da linha dos achocolatados. Por isso, logo depois, a série ganhou novo título: “Patrulheiros Toddy”. Ficou no ar até o início de 1963 quando deu lugar a outro fenômeno de série de faroeste – “Bonanza”.

“Casey Jones”
A série mostrava o cotidiano dos maquinistas Casey Jones e do filho Casey Jones Jr. no comando da máquina a vapor “Cannonball Express”.

“O Último dos Moicanos”
Nat Cutler, conhecido como “Hawkeye”, era um comerciante de peles. Com seu fiel companheiro, o índio Chingachgook – o último da tribo moicano -, ele lutava para proteger os colonos contra os invasores da tribo Huron.

“Cavalo de Ferro”
Série que mostrava a vida de um jogador de pôquer que ganhou num jogo uma ferrovia inacabada e abandonada. Sua luta passa a ser a tentativa de tornar uma ferrovia uma coisa lucrativa no velho oeste americano. Mas seu problema era lidar com a falta de conhecimento, pouco dinheiro e mais os ataques de índios, bandidos e a ganância dos banqueiros da região.

Séries infanto-juvenis

“Histórias Maravilhosas Bendix”
Shirley Temple apresentava, e também era a narradora, da versão dramatizada para a TV de histórias de “As Mil e Uma Noites”.

“Histórias Inesquecíveis”
Histórias infantis dramatizadas eram contadas e narradas pela atriz Loretta Young.

“Legionários Toddy”
Michael Gallant (Buster Crabbe – o 1º Flash Gordon), capitão da Legião Estrangeira Francesa no norte da África, tenta manter a paz e lutar contra as tribos de bandidos. Ao mesmo tempo, ele cuida do filho, Cuffy (Cullen Crabbe), que vive com ele no forte da Legião Estrangeira. Buster Crabbe era pai de Cullen Crabbe na vida real.

“O Menino do Circo”
Mostrava o cotidiano do menino Corky, que vivia num circo. Seus pais eram equilibristas em fio e morreram ao despencar de um fio elevado. Corky foi “adotado” pelo circo, comandado por Mr. Big Champion. Entre os amigos de Corky estavam o simpático palhaço Tio Joey e um funcionário chamado Pete. Há também o elefante Bimbo. Corky foi interpretado pelo garoto Micky Dolenz, que mais tarde seria o baterista de um famoso quarteto musical americano chamado The Monkees.

Paródias e sátira

“Ceará Contra 007”
Uma paródia do filme “Moscou Contra 007”, com James Bond, sucesso na época.

“Quem Bate”
Paródia da série americana de guerra chamada “Combate”.

“Papai Sabe Nada”
Paródia de “Papai Sabe Tudo”, criada por Renato Côrte Real e protagonizada pela família dele na vida real – Renato,  a mulher Bisu e os dois filhos, Junior e Ricardo Corte Real.

“A escuna do diabo”
Série ambientada na Segunda Guerra Mundial que mostra a tripulação da escuna US Kiwi, feita totalmente de madeira. A função da embarcação é penetrar entre as linhas japonesas, fazendo-se passar por uma escuna neutra, usando a bandeira suíça. A escuna é comandada pelo major Butcher, do Exército, responsável pelas operações em terra, e pelo tenente Riddle, da Marinha. Durante dois anos, a série foi proibida pela censura no Brasil. Eram tempos da ditadura militar e o governo considerava ofensivas as situações hilárias sobre a Marinha.

Humor

“Red Skelton Show”
Show que misturava stand-up com esquetes tendo à frente Red Skelton, um dos mais populares comediantes americanos, mais ou menos comparado a um Renato Aragão.

“Grindl”
Série protagonizada pela atriz Immogene Cocca (considerada a rainha comediante americana da mímica), que interpretava a empregada doméstica Grindl. Ela vivia mudando de emprego, de acordo com os desígnios da agência de emprego. Suas confusões eram tão engraçadas que a série chegou a ser recomendada nos Estados Unidos como “terapia para doenças nervosas como meio de relaxar a tensão”.

“Mr. Ed”
Comédia criada por Mel Brooks. A história de Mister Ed começa quando o arquiteto Wilbur Post (Alan Young) e a esposa, Carol, resolvem se mudar para uma nova casa. No dia da mudança, o casal fica surpreso com que encontra na nova residência: o antigo morador deixou um cavalo no estábulo, no fundo do quintal. Não havia outro jeito se não ficar com o hóspede equino – ainda mais quando Wilbur descobre que o cavalo pode falar. É claro que a primeira coisa que o estressado arquiteto faz é tentar mostrar pra sua mulher a novidade. Aí ele descobre que é o único que pode ouvi-lo. O relacionamento entre Wilbur e Mister Ed começa a trazer problemas para o pobre arquiteto, pois todos pensavam que ele estava ficando louco.

Família, escola, trabalho

“Colégio de Brotos”
Exibida na TV Paulista, “Colégio de Brotos” era uma espécie de comédia juvenil, tipo “Malhação”, que mostrava o relacionamento entre alunos e alunas. Destaque para o sempre bem-humorado professor interpretado por Walter Foster.

“O Príncipe e o Plebeu”
Criação de Geraldo Vietri (TV Tupi) que mostrava com muito humor a vida de dois amigos vindos do interior, interpretados por Luís Gustavo e Amilton Fernandes. Esses dois amigos moravam numa pensão e vivam se envolvendo em confusão sobretudo quando o assunto envolvia duas parentes da dona pensão interpretadas por Neyde Alexandre e Meire Nogueira.

“Meus Filhos e Eu”
Também era conhecida como “Meus Três Filhos e Eu”. Série estrelada por Fred MacMurray, que fazia um viúvo que, com a ajuda do sogro, criava três filhos: um jovem, um adolescente e um ainda criança.

“Papai, Mamãe e Eu”
Comédia com tema familiar, escrita e criada por Ciro Bassini, mostrando o cotidiano dos pais (Carlos Zara e Arassary de Oliveira) por meio do olhar da filha ainda criança, interpretada por Lurdinha Felix.

“E Agora, Papai?”
Série com Pat O’Brien. Os advogados Harrigan, pai e filho, dividem o mesmo escritório e tem maneiras diferentes e defender seus clientes.

“A Caldeira do Diabo”
Série dramática ambientada numa cidade americana chamada Peyton Place, na puritana Nova Inglaterra. A série ainda mantinha uma característica radiofônica com um narrador impessoal, Os temas abordados – adultério, filhos ilegítimos, vício – eram considerados tabus em 1966. Esse foi um dos motivos de a série retardar a ser apresentada o Brasil. Outro motivo: até 1966, a TV brasileira estava proibida de exibir novelas estrangeiras. Esta série fez o público brasileiro conhecer Mia Farrow (na época, casada com Frank Sinatra) e Ryan O’Neal (depois protagonista de “Love Story”).

Séries com temática adulta

“Perry Mason”
A primeira série televisiva a ter um advogado criminalista (interpretado por Raymond Burr) como protagonista.

“Bus Stop”
Série dramática que tinha como ponto de partida uma parada de ônibus. Grace é dona de um café, que é também ponto de ônibus. Ela, a garçonete Elma e o xerife Will acabam sendo telespectadores, e também interagem, com os passageiros chegam e partem da pequena cidade.

“Os Vikings”
As aventuras de Leif, um viking que, nos anos 1000, sai da Escandinávia numa grande galera,  com vários companheiros, para encontrar, conquistar e colonizar novas terras.

“Guilherme Tell”
Retrata a lenda de Guilherme Tell (Conrad Phillps). Segundo a história, ele acertou uma flecha numa maçã colocada na cabeça de seu filho e liderou a rebelião para libertar a Suíça.

“Lanceiros de Bengala”
Série que contava as aventuras de dois tenentes, Rhodes e Storm, à frente do 77º batalhão de lanceiros, em Bengala, na Índia, no final do século XIX. A  Índia ainda era uma colônia inglesa.

“Na Corda Bamba”
“Na Corda Bamba” era uma série estrelada por Mike Connors. Ele era o agente secreto da polícia Nick Stone, que tinha a missão de se infiltrar dentro do crime organizado para obter informações e assim colocar seus integrantes atrás das grades. A cada episódio, Nick usava um nome diferente para se proteger. Apesar de ser um agente da lei,  ele era praticamente desconhecido das unidades policiais. Por causa disso, não tinha como evitar que as balas viessem de ambos os lados. Nick ficou famoso por carregar um revólver escondido num coldre na parte detrás da calça, o que por várias vezes acabava surpreendendo os bandidos. Os episódios eram narrados pelo próprio Nick, uma coisa que não era comum na época. Em muitos episódios, quando baixava a polícia para pegar os bandidos, Nick sempre fugia, repetindo o bordão: “Todos foram pegos, menos um… Eu”.

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