A Argentina é o berço das canetinhas hidrocor Sylvapen, que marcaram a infância de muita gente nos anos 1970 e 1980. Italiano de Belluno, no norte do país, Francesco Barcelloni Corte mudou-se para a Argentina em 1948. Trabalhou como operário e especializou-se no ofício de torneiro (que é quem mexe com o torno).

 canetinhas Sylvapen

Em 1959, ele abriu sua fábrica de canetas, a Sylvapen.  Numa excelente jogada de marketing, o húngaro naturalizado argentino Lázlo Biro, inventor da caneta esferográfica, foi contratado como garoto-propaganda da marca em 1968.

A Sylvapen chegou ao Brasil no ano de 1971, depois de já ter se instalado no Chile e no Uruguai. A matriz chegou a vender 65 milhões de unidades num ano. N0 Brasil, duas máquinas tratavam de fabricar 24 mil delas ao dia. Barcelloni deu o nome de Sylvapen para a canetinha em homenagem à sua mulher, Silvia.

Elas estão bem diferentes das canetinhas Sylvapen que marcaram a minha infância. Lembro bem das embalagens acrílicas. Havia estojos de 6 e de 12 cores. As canetas eram brancas e decoradas com pequenas flores das cores da respectiva tinta. A embalagem atual contém 10 canetinhas coloridas. Elas ficaram 1 centímetro menor. Agora elas medem 9 centímetros (90 milímetros de carga).

As propagandas diziam que a tinta era suficiente para escrever até 2 quilômetros. Não sei, não. Elas eram caras e pareciam durar muito pouco. Quando a canetinha secava, lembro que nós retirávamos a tampinha de cima e enchíamos de álcool para aumentar um pouco o tempo de uso. O perigo era se engasgar, já que era costume arrancar a tampinha com os dentes.

Um pouco depois, a caixinha da Sylvapen passou a imitar a embalagem de um maço de cigarro. Isto fazia aumentar a disputa pela canetinha laranja, cuja tampa tinha cor parecida com um filtro de cigarro. Também existiam os pacotes comuns e cartelas com 6, 12 ou 20 unidades coloridas. Há propagandas em que as crianças aparecem “fumando” uma canetinha.

 canetinhas Sylvapen 3

Barcelloni vendeu a marca para a Gilette/Paper Mate da Argentina em 1986. Mas continuou fazendo as canetinhas com a marca Baycolor. No Brasil, a empresa desenvolveu o Sylvaletra, rotulador para uso doméstico.