Morávamos no mesmo prédio, o Edifício São Camilo, na Rua Cunha Gago, em Pinheiros. Estudávamos num parque infantil da Pedroso de Moraes, que existe até hoje. Nossos pais eram amigos e, por tabela, nós também deveríamos ser. Depois que nos mudamos, em 1969, eu nunca mais vi a Nancy. A única lembrança que ficou foi uma foto tirada na frente do prédio quando tínhamos 3 anos (na verdade, tenho também fotos de uma festa de Páscoa na escolinha. Como estou com umas orelhas de papelão e algodão ridículas, achei melhor não mostrar).

iG Colunistas – Blog do Curioso, por Marcelo Duarte -
Nunca mais vi minha primeira amiga japonesa. Mas ficava curioso em saber o que tinha acontecido com ela cada vez que via o retrato. Para localizar a Nancy, contei com a ajuda da minha mãe, que vasculhou o bairro e localizou seus pais ainda em Pinheiros. Vamos dizer que mudamos um pouquinho… Nancy Ariga Yamaoka trabalha como diretora de operações de uma empresa de tecnologia e fica quase toda a semana fora de São Paulo. Não foi fácil colocar em dia a conversa de 40 anos. Nancy tem a mesma idade que eu: 44 anos. Está casada desde 1988 com o engenheiro mecânico Nilton Yamaoka.

Formou-se em Engenharia Eletrônica pela Faap e tem dois filhos. Luiz Fernando, 18, faz engenharia na Poli, enquanto Kadu, de 15, está no colegial do Porto Seguro. A família mora no bairro de Vila Sônia.

Os avós paternos e maternos dela vieram do Japão para trabalhar em fazendas de café no interior de São Paulo. Sua única irmã, Claudia, fez o caminho inverso. Ela mora numa cidadezinha perto de Tóquio desde 1992. Azar de Nancy que vê pouco os sobrinhos Cezar e Yuji. Na conversa, minha amiga lembrou de outros dois colegas do jardim da infância: “Tinha o Cláudio e também um loirinho chamado Maurício…”. Não lembrei de nenhum dos dois. Mas suspeito que um deles possa ser o outro garotinho que aparece na foto da Páscoa – também com as orelhas de coelhinho.

Leia também: 10 curiosidades sobre a imigração japonesa