Livro “Café em Paris”Elas estão de volta! As paper dolls – ou bonecas de papel – foram febre nos anos 1930, 40 e 50 e  são as estrelas do recém-lançado livro Café em Paris, da designer Marília Cichini. A edição traz 7 bonequinhas diferentes, que vêm acompanhadas de 145 peças de roupas e acessórios, 1 molde de envelope para servir de guarda-roupa, e, como ninguém escapa da moda das selfies, 6 cenários para tirar fotos e compartilhar as criações com a hashtag #cafeemparis. “Lembrei da minha infância e de como era estimulante recortar, pintar e brincar com essas bonequinhas”, conta Marília. “No meu tempo, a gente comprava as bonecas em bancas de jornal. Algumas vinham em caixas lindas”.

BONECAS DE PAPEL

Elas surgiram na França em 1700 e eram apenas um passatempo para as mulheres da alta sociedade. A primeira paper doll comercial, batizada de Little Fanny, foi produzida em Londres no ano de 1810 por S&J Fuller, uma empresa de brinquedos muito inovadora na época. Eles produziram uma série de livros entre 1810 e 1816, que vinham com as paper dolls e uma série de roupinhas e acessórios para colorir e recortar. No verso de cada página havia uma história e as roupinhas eram bem específicas para cada episódio. Os livros, de aproximadamente 15 páginas, traziam ainda lições de moral e ética para as crianças. Como eram muito mais caros do que as demais obras infantis, acabavam sendo destinados à classe mais alta.

Nos Estados Unidos, as dolls só começaram a ser feitas dois anos mais tarde, em 1812, na cidade de Boston, por J. Belcher. A linha editorial era a mesma de S&J, com histórias repletas de lições de moral para as crianças. O personagem principal era chamado de Litlle Henry  (Pequeno Henry). Nos anos 1820, conjuntos de bonecas eram produzidos na Europa e exportados para crianças de famílias abastadas em outras partes do mundo.

A primeira personalidade a ser retratada numa boneca de papel foi a bailarina sueca Marie Taglioni (1804-1884) nos anos 1830. Na década seguinte, a bailarina austríaca Fanny Elssler (1810-1884) e a Rainha Vitória, que reinou a Inglaterra de 1837 a 1901, também ganharam essa honraria. Com o tempo, as paper dolls viraram garotas e garotos-propaganda, estampando a embalagem de vários produtos, e foram utilizadas por estilistas e designers de moda.

Com a invenção da impressão em cores, no fim do século XIX, ficaram mais atraentes, vestidas com o figurino da época. Tempos depois, as roupinhas passaram a vir separadas para recortar, e a brincadeira estourou entre os anos de 1930 e 1950, considerada a época de ouro das paper dollsAo longo dos anos (e mais recentemente), vários artistas foram homenageados. Alguns exemplos que aparecem nas ilustrações abaixo são o ator John Travolta, a pintora Frida Kahlo e o cantor Michael Jackson.

Nos anos 1990, a boneca Barbie acabou trazendo as paper dolls de volta ao universo das meninas, com o lançamento de revistas que traziam moldes de bonecas de papel acompanhadas de um vasto figurino para recortar. Em 2012, a autora inglesa de livros infantis Julia Donaldson comprovou o potencial das bonequinhas ao emplacar o best-seller “The Paper Dolls”, livro ilustrado sobre a relação familiar entre mãe e filha que tem como personagem uma tira de cinco inseparáveis bonecos de papel.

Segundo Denise Morais, 55 anos, consultora da faculdade de moda SENAC, as novas paper dolls são descoladas para atrair a atenção de um público mais jovem. “De 2013 para cá, várias marcas tradicionais começaram a se reciclar, caso da Louis Vuitton”, diz. “Lançaram bonecas de estrelas famosas, como Rihanna e Lady Gaga, para ganhar a simpatia do público teen”. Denise conta que as paper dolls ajudam também a formar tendências.  “Quem tiver paper dolls que contavam histórias da Era Vitoriana irá encontrar referências da coleção que será lançada no próximo inverno, meio gótica”.

Desta vez, o Brasil saiu na frente mesmo. Outro livro, “Paper Doll Mate – The First Girl’s Coloring Book”, já foi licenciado em nove países, entre eles Inglaterra, França e Espanha, mas ainda não chegou às livrarias.