O Dia Mundial do Jipe é comemorado em 4 de abril. Então, pé na estrada, porque Aí Tem História! Voltemos ao ano de 1940. A Segunda Guerra ainda não era mundial, pois o continente americano – ou seja, os Estados Unidos – ainda não tinha entrado no conflito. Mas era uma óbvia questão de tempo. Para ir se preparando, o governo americano convidou 135 fabricantes para desenvolverem um veículo de guerra.

Olha a receita: ele teria que pesar no máximo 454 quilos; ter tração nas quatro rodas; capacidade para quatro soldados e mais armamentos; fácil conversão em veículo de carga, ambulância e o que mais precisasse. Em resumo: teria que ser ágil como uma moto e forte como uma mula. Era um treco que, absolutamente, não existia. Como desgraça pouca é bobagem, um protótipo deveria ser entregue em 49 dias – e 70 exemplares precisariam estar prontos para testes em 75 dias. No final das contas só três empresas aceitaram o desafio, conta o professor Warde Marx: a pequenina Bantam, a Willys-Overland e a Ford.

Bem, plano é plano, vida é vida e o carrinho precisou ficar maior e com o dobro do peso. Feitos testes e mais testes, com cerca de 4.500 unidades, o resultado foi o seguinte: o carro da Ford era o mais fácil de dirigir; o da Bantam, o mais econômico; e o da Willys, o mais potente. Não daria para manter os três modelos.

Por isso, a ordem foi juntar as melhores qualidades do trio num só veículo, que seria fabricado pela Willys. Depois, a Ford teve que entrar na jogada para produzir a mesma plataforma, pois o esforço de guerra demandaria muitos desses… desses… como é mesmo que se chamava o bichinho? Cada protótipo tinha um nome de fábrica. No meio militar era um veículo de uso geral, em inglês “general purpose” – sigla GP, que se pronuncia Jee-Pi. Pelo som, acabou ficando Jeep – e depois Jipe em português.

Há uma história, meio lenda, de que o nome “Jeep” vinha de Eugênio, o Jeep, um personagem mágico das HQs do Popeye, que podia se transformar em qualquer coisa. Enfim, estávamos ali pelo meio de 1941 e a ordem era produzir muitos desses Jeeps, pois a guerra se aproximava – e os Estados Unidos entraram no conflito em dezembro daquele ano.

Os jipes foram um sucesso tão instantâneo que as fábricas foram autorizadas a produzir unidades do modelo CJ (Civilian Jeep, Jipe Civil) para o público interno ainda em 1945, um mês antes do fim da Grande Guerra. Era o primeiro 4X4 prático, que não era caminhão e que logo virou o queridão do agronegócio.

Por aqui, ele começou a ser montado em 1954, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.A Willys só conseguiu registrar o nome Jeep em 1950, depois de uma briga com a nanica Bantam. Mas, a essa altura, o Jipe já ganhara o mundo.

Ah, o 4 de abril não foi escolhido como Dia Mundial do Jipe por causa de algum motivo histórico. O 04 do 04 faz só uma referência à tração 4X4.