A curiosa história de Khanzir, o único porco que vive no Afeganistão

4 de novembro de 2016

Entre todas as atrações do Kabul Zoo, o zoológico de Cabul, capital do Afeganistão, a mais curiosa é… um porco. Khanzir é um porco como qualquer outro, mas recebe olhares atentos e curiosos de quem vê nele um animal completamente desconhecido. E de fato é. A grande maioria das pessoas que passa pelo zoo nunca viu um porco na vida. Khanzir é o único porco do Afeganistão, segundo reportagem do jornal americano Washington Post.

Em países muçulmanos, como o Afeganistão, comer carne de porco é um dos pecados mais graves possíveis.  No caso específico dos afeganes, é usada uma interpretação de que não é permitido sequer tocar em um suíno, pois eles seriam animais sujos – reputação já superada para alguns, mas ainda forte na cultura local. Para completar, a geografia do país é bastante montanhosa, outro fator contrário à criação de porcos. Essa soma de fatores faz de Khanzir o provável porco mais solitário do mundo, a despeito da grande curiosidade humana. Seu nome, aliás, significa “porco” em pashto, um dos dialetos falados no Afeganistão.

“Os porcos estão entre os primeiros animais que foram domesticados pelo homem”, explica o biólogo Guilherme Domenichelli, autor do livro Girafa Tem Torcicolo?. “Isso aconteceu por volta de 8 mil anos atrás na região leste da Turquia. Hoje foram desenvolvidas diversas raças de porcos domésticos. Khanzir é um animal doméstico. Eles são animais que se tornam muito mansos e próximos das pessoas que os alimentam. Porcos vivem em grupos. Viver sozinho no seu espaço deve estar lhe causando estresse”.

Foto: Washington Post

Já bastante velho (tem 14 anos, quando o tempo de vida médio da espécie é de 12), Khanzir tem uma vida simples. Gosta de sol, trota pela grama e passa a maior parte do tempo exposto aos visitantes. Em entrevista ao Washington Post, o diretor do zoológico, Aziz Gul Saqib, informou que ele chegou ao local em 2002, ainda recém-nascido, vindo da China. Junto dele, vieram dois ursos marrons, dois leões, dois veados, um lobo e também uma porquinha. “Aparentemente ele é da raça Cantonense, encontrada no delta do rio Zhujiang, em Guangdong (Cantão), na China”. diz Domenichelli. “Essa raça também é conhecida como Dahuabat, Kanton, Macao e Pearl River Delta. É uma raça destinada à produção de banha e de carne”.

O casal viveu junto e chegou a procriar. Em 2006, porém, um terrível acidente mudou toda a história. “Nossos cuidadores não eram experientes na época e um dia, por acidente, deixaram a porta do local onde ficavam os ursos abertas.  Um deles invadiu o espaço dos porcos e os atacou”, explicou Saqib. Khanzir e a fêmea foram resgatados com vida, mas ela não resistiu em função dos graves ferimentos. As crias não tiveram qualquer chance de sobrevivência.
De lá pra cá, sua relação mais próxima é justamente com os cuidadores. “Ele não tem se movimentado muito, mas sempre fica feliz quando me vê porque sabe que eu trago comida”, contou o cuidador Shah Barat ao jornal norte-americano. Segundo Aziz Gul Saquib, o zoológico mantém contato com parceiros de outros países para aumentar o número de espécies e também a população das já existentes. Assim, em breve, Khanzir pode ganhar uma companhia que não lhe faça mais o porco mais solitário do mundo.

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