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Expressões que só podem ser traduzidas com uma única palavra num único país

2 de junho de 2016

Saudade. O sentimento é universal, mas só na Língua Portuguesa o seu significado pode ser expressado com uma única palavra. Pois “saudade” foi escolhida pela inglesa Ella Frances Sanders para representar a nossa língua no livro

Lost in Translation (ainda sem editora por aqui), que tem 50 expressões que só podem ser traduzidas com uma única palavra num único país. Tudo começou a partir de um pequeno blog criado por ela. Sanders procurava pelas “palavras sem tradução” sozinha, navegando pela internet e xeretando em outras obras que tratavam do assunto.

“Encontrei uma lista de 200 palavras em potencial, e então comecei a selecionar aquelas que achava melhores”, contou Ella ao Blog do Curioso. “Escolhi aquelas que traduziam sentimentos universais, e que poderiam render bons desenhos”.  O verbete ficou assim:

sau·da·de 
(latim solitas, -atis, solidão)
substantivo feminino
1. Lembrança grata de pessoa ausente ou de alguma coisa de que alguém se vê privado.
2. Pesar, mágoa que essa privação causa.



Outra representante da Língua Portuguesa foi a palavra “cafuné”, apresentada como o “ato de correr os dedos ternamente pelos cabelos de alguém que você ama”.

Há descobertas realmente curiosas no livro. Os japoneses possuem uma palavra para definir o modo como a luz do sol se posiciona entre as folhas das árvores – “komorebi”.  Na língua malaia, idioma oficial de Malásia, Brunei e Cingapura, “pisan zapra” significa o tempo necessário para se comer uma banana. Já notou o reflexo que a Lua faz na água? Aquele que parece uma estrada longínqua? Em sueco, isso se chama “mångata”. Para os mais românticos, o termo persa “tiám” designa o brilho nos olhos quando se conhece alguém especial.



Para Ella, a língua é um organismo vivo e em constante mudança, que, algumas vezes, “pode dar uma falsa noção de imutabilidade”. “Meu livro é mais do que um processo criativo”, afirma. “Olho para alguém na rua e vejo esses verbos e substantivos nas pessoas e em mim”.  A lexicógrafa Thereza Christina Pozzoli, graduada em Linguística pela USP, explica que toda a língua está cheia de idiomatismos – palavras sem tradução. “A língua reflete um povo e, se esse povo tem contato com outros povos, sua língua reflete esses contatos também”, diz.  “A influência das línguas umas sobre as outras é inerente ao convívio dos grupos humanos. Raramente se encontra uma língua pura, um povo isolado”. Thereza cita o exemplo do latim. A língua foi influenciada pelo grego e, mais tarde, se mesclou com línguas de povos europeus até formar as línguas neolatinas, que nas Américas e na África se mesclaram com outras línguas. Assim nasceram o português brasileiro, o espanhol argentino, o francês argelino.

Confira mais algumas palavras que estão no livro “Lost in Translation”, de Ella Frances Sanders:
BOKETTO – Japonês
Contemplar algo à distancia, sem realmente pensar sobre nada específico.

RESFEBER – Sueco
Refere-se ao sentimento do viajante momentos antes de começar sua “aventura”. É um mix de ansiedade e antecipação.

SHLIMAZEL – Yiddish
Alguém que parece não ter nada que não seja azar.

GURFA – Árabe
A quantidade de água que pode ser “segurada” em uma mão.

KABELSALAT – Alemão
Uma palavra para descrever muitos cabos que se enrolarão. É literalmente uma “salada de cabos”.

KARELU – Túlu (língua falada na Índia)
A marca deixada por algo que você usou e que estava bem apertado.

KILIG – Filipino
A famosa sensação de borboletas no estômago ao ver alguém que você gosta.

TRETAR – Sueco
É o segundo refil, ou a terceira vez que você repete o café. 

PALEGG – Norueguês
Tudo que pode ser colocado numa fatia de pão.

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1 Comentários

1 Comentário

  1. anônimo

    Minha contribuição:
    BOKETTO – admirar
    RESFEBER – ansioso
    SHLIMAZEL – azarado
    GURFA – góle
    KABELSALAT – emaranhado
    KARELU – marquinha
    KILIG – ansiedade
    TRETAR – repetir 
    PALEGG – recheio

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