Novo Livro O Guia dos Curiosos - Edição Fora de Série

Autores que viraram best-sellers comprando seus próprios livros

24 de julho de 2020

No último episódio de seu podcast, “Self Publishing Show”, o escritor e roteirista inglês Mark Dawson confessou que havia comprado 400 exemplares de seu suspense, “The Cleaner”, para chegar à lista dos mais vendidos do jornal “Sunday Times”. Ele alcançou a oitava posição, um feito realmente impressionante para um livro lançado por uma editora independente apenas duas semanas antes. Dawson, 47 anos, tem 39 livros publicados. Disse que gastou 3.600 libras (o equivalente a 25 mil reais) numa livraria infantil em Salisbury para arrematar os livros, que “depois seriam revendidos a leitores interessados nos Estados Unidos”. Dawson foi criticado por outros autores por celebrar a marca a façanha no Twitter sem ter informado que havia comprado os próprios livros. Estar na lista dos mais vendidos é um sonho de consumo que ajuda o autor e a editora a venderem mais – um estudo de 2004 revelou que autores iniciantes que figuravam na lista do “The New York Times” aumentavam suas vendas em 57%.

O que Dawson fez não chega a ser uma novidade no mercado editorial. Há inúmeros casos semelhantes. Em 2017, o romance “Handbook for Mortals”, de Lani Sarem, foi despejado da primeira posição da lista de best-sellers do NYT depois que foi descoberto uma série de pré-encomendas suspeitas. Sarem alegou que estava comprando seu livro para vender em eventos. O mais comum nesses casos é que o autor compre da própria editora, com desconto, e não nas livrarias.

Mas, fazendo as contas, a conclusão de David Vise foi outra. Em 2002, o repórter do “Washington Post” comprou 18 mil exemplares de “The Bureau and The Mole” – a história de Robert Hanssen, o agente do FBI que trabalhou como espião em Moscou por 20 anos. Ele encheu a garagem com os livros. Depois de aparecer em quinto lugar na lista dos mais vendidos, Vise devolveu grande parte das cópias às livrarias. “Meu objetivo era autografar e vender os livros no meu próprio site”, justificou Vise. Ele disse que a ideia era adquirir “apenas” 4 mil. “Pelo menos 8 mil foram comprados por causa de um pedido duplo incorreto”, justificou.

Em 2012, o livro “Leapfrogging” chegou à lista dos mais vendidos do “The Wall Street Journal” na semana de lançamento. Na semana seguinte, porém, as vendas do livro de Soren Kaplan despencaram 99%, levantando suspeitas de manipulação. Descobriu-se que o autor havia contratado uma empresa de marketing que compra livros em livrarias que são auditadas para entrar nas principais listas de best-sellers. Kaplan comprou 2.500 exemplares pela ResultSource. Pagou pelos livros e pelos fretes um total de 55 mil dólares, mais 25 mil dólares pelo trabalho da empresa. Com 3 mil cópias vendidas na primeira semana, “Leapfrogging” chegou em terceiro lugar na lista de mais vendidos – e em primeiro colocado no site da livraria Barnes & Noble. Nos seis meses seguintes, segundo a consultoria Nielsen BookScan, o livro vendeu 1.000 exemplares, embora a editora tenha declarado que foram 11 mil. Kapplan afirmou que o livro ajudou a impulsionar sua carreira como consultor e palestrante.

Há ainda outras maneiras de, digamos assim, impulsionar as vendas. No ano passado, “Triggered”, de Donald Trump Jr., ficou em primeiro lugar na lista dos mais vendidos quando o Comitê Nacional do Partido Republicano desembolsou quase 100 mil dólares em um grande pedido uma semana antes de o livro ser lançado. Um porta-voz do partido declarou que a compra foi feita para “atender a demanda” entre os partidários. O livro do filho do presidente dos Estados Unidos foi marcado com uma adaga, a maneira que o “The New York Times” encontrou para sinalizar uma venda em massa. No Brasil, algo parecido aconteceu com “Nada a Perder”, a autobiografia do bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal, dividida em três volumes, lançados entre 2012 e 2014.

Esta página contém links de afiliados. Ao fazer uma compra por um desses links, o Guia dos Curiosos recebe uma comissão e você não paga nada a mais por isso.

Artigos Relacionados

Os filmes dos Muppets

Os filmes dos Muppets

1. O primeiro longa-metragem, Muppets - O filme, foi lançado em 1979 e garantiu a ida dos fantoches ao estrelato. 2. Na história, as brincadeiras eram metalinguísticas: Kermit era levado a Hollywood para fazer gravações e acabava se...

10 fatos curiosos sobre os livros

10 fatos curiosos sobre os livros

Os sábios chineses foram os pioneiros na arte de imprimir livros. Mas o livro mais velho que se tem conhecimento é uma cópia do "Diamond Sutra", impresso em 11 de maio de 868 e encontrado nas grutas de Dunhuang, no Turquestão. Eram discursos de Buda para seu discípulo...

0 Comentários

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Share This