A Coleção Vaga-Lume foi lançada pela Editora Ática em 1973, por sugestão do editor Jiro Takahashi. A editora já publicava clássicos da literatura na Coleção Bom Livro, mas faltava algo para atender o público de 9 a 12 anos. O professor Anderson Fernandes Dias (1932-1988) fundou a Editora Ática em 03 de junho de 1965, no bairro da Liberdade, em São Paulo.

Mas a história começou um pouco antes, em outubro de 1956, com a fundação do Curso de Madureza Santa Inês, pelos irmãos Anderson Fernandes Dias e Vasco Fernandes Dias Filho, e pelo amigo Antonio Narvaes Filho. Em 1962, para imprimir as apostilas para um número cada vez maior de alunos, eles criaram a Editora Santa Inês. Por insistência de Anderson, os sócios abriram em 1965 a Editora Ática. No primeiro ano, a editora já tinha vinte títulos no catálogo.

“Cabras das Rocas”, de Homero Homem, e “A ilha perdida”, de Maria José Dupré, foram os dois primeiros títulos. No mesmo ano, outros dois livros, que faziam parte da Coleção Bom Livro, migraram para a Vaga-Lume: “Coração de Onça” (Ofélia e Narbal Fontes) e “Éramos seis” (Maria José Dupré).

“A ilha perdida” foi publicado pela primeira vez pela Editora Brasiliense, em 1944. É o título recordista da coleção, com 5 milhões de exemplares.

O livro “Éramos seis” foi publicado originalmente em 1943. As primeiras edições tiveram o prefácio de Monteiro Lobato. Foi lançado pela Editora Ática em 1972 pela série “Bom Livro”, numa espécie de teste para a coleção que estava nascendo. Por isso se mudou para a Vaga-Lume já no ano seguinte. Deixou a Vaga-Lume em 2012, mas continua no catálogo da editora. O livro foi adaptado para telenovelas em cinco ocasiões: 1958, 1967, 1977, 1994 e 2019.

O nome da coleção Vaga-Lume foi escolhido numa votação interna entre os funcionários da Ática. O ganhador foi um funcionário do escritório do Rio de Janeiro. Há quem conte que o primeiro nome pensado para a coleção foi Pirilampo. Mas, em cima da hora, acabou mudando para Vaga-Lume.

Luminoso é o nome da mascote da coleção, criada pelo ilustrador Edu. Por ter nascido na década de 1970, ele tinha inicialmente um ar hippie. No projeto gráfico inicial, o personagem aparecia na quarta capa e na primeira orelha do livro fazendo pequenos teasers da história. A Vaga-Lume passou por uma reformulação gráfica em 2015 – incluindo o novo visual do Luminoso. O projeto foi concebido pelo designer Marcelo Martinez, do Estúdio Laboratório Secreto.

“O escaravelho do diabo”, de Lúcia Machado de Almeida, é um dos títulos mais famosos da coleção. O texto foi publicado inicialmente em capítulos pela revista “O Cruzeiro” entre 10 de outubro e 26 de dezembro de1953. O livro entrou para a Coleção Vaga-Lume em 1974. Ganhou uma adaptação para o cinema em 2016. As vítimas do bandido, todas ruivas, recebem um escaravelho pelo Correio antes de morrer. 

O romance “O feijão e o sonho” foi escrito por Orígenes Lessa em 1938. Entrou na Vaga-Lume em 1981. Teve duas adaptações para telenovelas: 1969 (TV Cultura de São Paulo) e 1976 (Rede Globo). É a história do poeta Carlos Lara e da mulher dele, Maria Rosa. Carlos é sonhador, Maria Rosa tem os pés no chão. Ela exige dele “mais feijão e menos sonho”.

Para atrair um público mais novo, a Editora Ática lançou em 1999 a Vaga-Lume Júnior. Os livros deste selo foram lançados até 2009.

Marcos Rey, pseudônimo de Edmundo Donato, foi autor de dezesseis títulos da Vaga-Lume e Vaga-Lume Júnior entre 1981 e 2000. Marcos Rey faleceu em 1º de abril de 1999, aos 74 anos. Os livros de Marcos Rey são publicados atualmente pela Global Editora.

De 1973 a 2023, a Coleção Vaga-Lume contabilizou 106títulos, mas nem todos seguem no catálogo da Ática. A editora foi vendida para a Editora Abril em 1999. Hoje ela pertence à Somos Educação [anteriormente chamada de Abril Educação].