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Como foi o “achamento” do Brasil e quem passou por aqui antes de Cabral

22 de abril de 2020

“(…) A terra em si é de bom clima, fresco e temperado (…). As águas são muitas; infinitas. De tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por causa das águas que tem!”.

Esse é um trecho da carta de Pero Vaz de Caminha, considerada a principal certidão de nascimento do Brasil. O que isso tem de verdadeiro ou fantasioso? Aí tem História!

Comecemos com a narrativa oficial. Em 9 de março de 1500, saiu de Portugal a maior frota até então da sua história, com treze embarcações, comandada por Pedro Álvares Cabral. Eles tiveram que se afastar da costa africana para fugir da calmarias, nome da ausência de ventos. Por causa disso, em 22 de abril, eles teriam descoberto sem querer o Brasil. No dia 2 de maio, a frota seguiu para a Índia, menos a nau de Gaspar de Lemos, que retornou a Lisboa, para entregar ao rei a carta do “achamento” do Brasil, aí do nosso amigo Caminha. Foi isso. Ou não.

Leia 10 curiosidades sobre o Descobrimento do Brasil

Descobrimento? 5 milhões de índios já viviam aqui

Soa esquisito falar hoje em descobrimento, pois significa desconsiderar os cerca de 5 milhões de índios que viviam aqui. Por isso, é mais correto tratar o fato como conquista. Outra: dizem que o comandante chamava-se Pedro Álvares Gouveia,  o que em parte é verdade. Ele era de família nobre. Cabral era o pai, Gouveia, a mãe. O sobrenome do pai só podia ser usado pelo filho mais velho. E Pedro Álvares só virou Cabral após a morte do irmão mais velho, pouco antes de partir de Lisboa. Mas, seja descoberta, achamento ou conquista, o que se sabe é que não foi Cabral o primeiro a chegar nessas terras. Ele veio na verdade tomar a posse oficial. Duarte Pacheco Pereira, comandante de um grupo de oito naus, esteve aqui e explorou o litoral norte-nordeste, entre Pará e Maranhão, em 1498. Mas isso permaneceu no mais absoluto sigilo. Por quê? Ora, o Tratado de Tordesilhas, dividindo as terras a serem descobertas entre Portugal e Espanha,  havia sido assinado apenas 4 anos antes. Os portugueses precisavam ter certeza de que as novas terras estavam em área lusitana – para não dar mais conquistas aos espanhóis.

Leia mais: Os relatos da chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil

Fenícios, vikings e chineses estiveram na América antes de Colombo e Cabral

Há outras especulações bem interessantes. Já é fato histórico que os vikings chegaram à América 500 anos antes de Colombo. E o que você diria se soubesse que quem descobriu o Brasil – e a América – foram os chineses, décadas antes dos europeus, por volta de 1421/22. Sim, existe uma teoria (muito vaga, é verdade) que sustenta a presença de chineses descobrindo terras e mais terras, conduzidos por uma armada de navios gigantescos. Compare: a Nina, de Cristóvão Colombo, media, de ponta a ponta, 11 metros. Um junco chinês teria mais de 140 metros. Achou exagerada essa história? Então nem vou comentar que há ainda uma suposição que os fenícios estiveram por aqui aproximadamente 1 mil anos antes de Cristo.

Warde Marx, especial para o “Você é Curioso?”, 21/04/2018  

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