A Eurocopa 2024, que será disputada na Alemanha entre 14 de junho e 14 de julho, já está pegando fogo nos bastidores. A italiana Panini era a parceira oficial dos álbuns de figurinhas da UEFA desde a Eurocopa de 1976, disputada na Iugoslávia. Este ano, a Panini foi destronada pela Topps, empresa criada nos Estados Unidos em 1938, famosa por seus cards de beisebol, que foi comprada pela gigante americana de merchandising esportivo Fanatics em 2022. A Fanatics resolveu entrar com força no milionário mercado das figurinhas de futebol e começou pela Eurocopa.

Encurralada, a Panini resolveu reagir. Como tem contratos individuais com estrelas como o francês Kylian Mbappe e os ingleses Marcus Rashford, Bukayo Saka e Phil Foden, a Panini não permitiu que eles fossem escalados no produto da Topps. Em alguns casos, os craques foram substituídos por jogadores que nem estarão na competição. A Panini é parceira também das principais federações europeias – Inglaterra, Espanha, França, Alemanha e Itália, atual campeã da Euro. Isso significa que os cromos destas seleções (com exceção dos espanhóis) não aparecem com uniformes oficiais no álbum da Topps. Tem mais: a Panini lançou um álbum concorrente, batizado de “Top Class 2024”, com as principais estrelas dessas equipes favoritas. Desse modo, a Euro 2024 tem dois álbuns, um oficial e um alternativo, mas nenhum dos dois completo.

A guerra promete ser longa. A Panini já tem assegurado os direitos do álbum da Copa do Mundo de futebol masculino de 2026. A Topps, por sua vez, garantiu a Euro masculina de 2028, a Euro feminina de 2025 e as finais da Liga das Nações da UEFA até 2028.

A Topps contratou o técnico José Mourinho para endossar a escolha dos jogadores selecionados. Mourinho não foi capaz de evitar as críticas. Por ter sido impresso muito tempo antes, o álbum traz figurinhas de nove seleções que foram eliminadas nos playoffs: Estônia, País de Gales, Finlândia, Israel, Bósnia, Islândia, Luxemburgo, Grécia e Cazaquistão. Isso significa um excesso de “figurinhas desnecessárias”. Para preencher as 728 figurinhas da Panini, sem levar em consideração as repetidas, o colecionador europeu gastará o equivalente a 815 reais (47 reais o álbum e mais 6,70 reais o pacote com seis figurinhas). Serão mais 470 reais se resolver comprar as 387 figurinhas da Panini.

De todo o modo, nas redes sociais, os torcedores estão demonstrando sua frustração com o resultado dessa guerra autocolante. Em entrevista à imprensa inglesa, um porta-voz da Topps alfinetou a Panini. Disse estar, claro, desapontado com o desaparecimento de “um pequeno número de jogadores” e que a culpa foi do antigo parceiro, que não demonstrou comprometimento com os colecionadores. Você concorda? Numa batalha desse tamanho, a felicidade do colecionador/torcedor/consumidor não deve mesmo ser levado em consideração pelos concorrentes?