PANETONE O panetone foi criado na cidade de Milão, na Itália, mas não se sabe ao certo por quem. Existem diversas versões.

Uma delas diz que Toni, ajudante de cozinheiro do duque de Milão, Ludovico Sforza, estava trabalhando na noite de Natal de 1495. Deixou queimar os biscoitos que seriam servidos de sobremesa para os convidados do duque. Acabou improvisando uma receita, que, de tão saborosa, acabou sendo batizada de Pane-di-Toni.

Numa outra versão, bem mais romântica, um rapaz chamado Ughetto, filho de um fiel escudeiro do mesmo duque de Milão, apaixonou-se por Adalgisa, filha de um padeiro. A família de Ughetto foi contra o relacionamento porque a moça era de família pobre. O rapaz resolveu se empregar na padaria para ensinar uma receita ao pai da moça e, ao mesmo tempo, ficar pertinho dela. A estratégia deu certo. O pai de Adalgisa, Toni, teria ganhado bastante dinheiro com a novidade, o que possibilitou o casamento dos dois.

Tudo indica que tudo isso não passa de lenda. Em 2007, o escritor napolitano Stanislao Porzio publicou o livro “O panetone – História, lendas e segredos de um protagonista do Natal” (não lançado no Brasil) e mostrou que nada disso aconteceu. O panetone nasceu mesmo em Milão, mas teria sido quase uma criação anônima, que foi sendo aperfeiçoada com o passar dos tempos. O que se sabe é que o padeiro milanês Angelo Motta teria criado esse formato abobadado em 1919. Antes eles eram achatados, como colombas pascais.

Quando o panetone chegou ao Brasil?

No Brasil, a tradição surgiu depois da Segunda Guerra Mundial. Imigrantes italianos resolveram fazer o mesmo panetone consumido por eles na Itália na época de Natal. A Di Cunto, famosa doceria italiana do bairro paulistano da Mooca, anuncia que faz panetones no Brasil desde 1939, por exemplo. Muitos outros italianos preparavam esse bolo natalino por aqui nessa época.

O panetone se popularizou por aqui graças a Carlo Bauducco, italiano de Turim. Ele chegou ao Brasil em 1948 e ficou encantado com o tamanho da colônia italiana. Voltou à Turim disposto a vender tudo o que tinha e a abrir um novo negócio. Desembarcou novamente em São Paulo com um amigo confeiteiro, Armando Poppa, e uma massa fermentada enrolada num pano. Os primeiros panetones foram batizados de Panettone 900 Lanci. O 900 era o número da máquina que fazia o panetone e Lanci era o sobrenome de três irmãos italianos que entraram como sócios. Somente em 1952 Carlo abriu a Doceria Bauducco, que se transformou no lugar ideal para vender sua receita.