Nesta quinta-feira se comemora o Thanksgiving, o Dia de Ação de Graças, data importantíssima para as famílias norte-americanas, e diz a tradição que o presidente dos Estados Unidos deve cumprir esse ritual de perdão ao peru, prato principal da festa. A relação entre os chefes da Casa Branca e a ave do Thanksgiving é antiga – já em 1873 o presidente Ulysses S. Grant recebeu um peru de presente para a celebração da data.

Há 70 anos, porém, essa tradição se intensificou. Em 1947, a National Turkey Federation (Federação Nacional do Peru) passou a ser a fornecedora oficial da ave e presentou o então presidente Harry Truman com um peru de 21 quilos. Os animais eram enviados ainda vivos para serem mortos na própria Casa Branca e depois servidos no jantar presidencial.

Perdão ao peru

De lá para cá, alguns presidentes rejeitaram a oferta. Em 1963, John Kennedy mandou a ave para sua fazenda. Durante o mandato do presidente Richard Nixon (1969-1974) começaram a surgir cerimônias oficiais para a salvação dos perus. No século XIX, Abraham Lincoln (1861-1865) também salvou a pele de um peru. Mais de um século mais tarde, em 1989, George H.W. Bush, o “Bush Pai”, institucionalizou a “cerimônia de perdão ao peru”.

A cerimônia conta sempre com a presença do presidente da National Turkey Federation – atualmente Carl Wittenburg, fazendeiro da cidade de Alexandria, em Minnesota. Ele estará acompanhado da mulher e do filho mais velho, Wyatt, que irá erguer o animal sobre a mesa no cerimonial. Os perus que serão salvos na cerimônia nasceram em junho e fazem parte dos mais de 100 mil criados por ano pela National Turkey Federation.

Peru é o símbolo do Dia de Ação de Graça

Os perus são bem adestrados para cumprirem o ritual sem nenhum problema. Eles devem ficar muito comportados sobre a mesa. Os perus costumam se distrair muito facilmente com qualquer contato humano. Os organizadores fazem uma pré-seleção de 20 aves para depois escolherem as duas que irão para a cerimônia. “Drumstick” e “Wishbone” já foram perdoados pelo governador de Minnesota na sexta-feira passada e estão hospedados perto de um hotel na Casa Branca, mas apenas Drumstick receberá o perdão oficial de Trump. Terminada a cerimônia, os dois viverão até a morte natural em Virgínia. A expectativa de vida é de no máximo 2 anos – “Tater” e “Tot”, os perus salvos no ano passado, ainda estão vivos.

Almoço tradicional de Ação de Graças

As cerimônias do perdão também possuem um histórico de gafes. Em 2001, o peru “Liberty” deu uma mordida na barriga do presidente George W. Bush, arrancando risos constrangidos dos presentes e uma expressão de desconforto em Bush. Já Ronald Reagan presenciou dois momentos inusitados: tanto em 1981 quanto em 1984 as aves começaram a voar descontroladamente durante a cerimônia. Em 1984, Reagan acabou coberto de penas depois da revoada.

A National Turkey Federation estima que os americanos irão consumir 46 milhões de aves nesse Dia de Ação de Graças, além dos 22 milhões que já consomem no Natal e nos 19 milhões na Páscoa. São 246 milhões de perus abatidos anualmente. O Estado líder no setor é Minnesota, que tem 450 criadores, responsáveis por quase 20% da produção nacional.

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