Eles já foram donos de tudo. Hoje, as 559 áreas indígenas existentes no Brasil ocupam 9,89% da área total do país.

Na Amazônia, 90 mil índios vivem em 216 áreas oficialmente registradas e controladas pela Funai, somando 55,2 milhões de hectares. Cerca de 20 mil ianomamis ocupam duas grandes reservas na fronteira do Brasil com a Venezuela, demarcadas em 1993, depois que 16 deles foram mortos num conflito com garimpeiros. Na reserva que fica do lado brasileiro e que tem o tamanho de Portugal, vivem outros 10 mil ianomamis.
Os 2 mil caiapós, divididos em cinco aldeias e espalhados em cerca de 32.000 quilômetros quadrados, são considerados os índios mais ricos do país. As aldeias dos gorotirés, no sul da reserva, e dos kikretuns, no norte, têm no garimpo de ouro sua maior fonte de renda.

O Parque Nacional do Xingu é uma das maiores áreas indígenas da América Latina, com 26 mil quilômetros quadrados (quase o tamanho do Estado de Alagoas). Fica na fronteira do Mato Grosso com o Pará. Criado em 1961 para garantir melhores condições de vida e a posse da terra à população indígena local, o Parque Nacional do Xingu abriga hoje 4 mil índios de 15 grupos diferentes.

Pelo Código Civil, o índio não tem direito à propriedade da terra das reservas. Ele tem a posse e o direito de usar o que nela existir (água, flora, fauna e minérios).