Se você ganhasse milhões na Mega-Sena, o que faria? Alternativa (a): montaria uma ONG para acolher moradores de rua; (b): faria várias cirurgias plásticas para participar de um concurso de beleza; (c): torraria tudo em menos de um ano;  (d): viajaria uma vez por ano em lua-de-mel com o seu amor; ou (e): pagaria todas as dívidas dessa e das próximas encarnações.  Essa é uma das 10 perguntas boladas pelos irmãos gêmeos Emerson e Anderson Couto, 43 anos, ambos jornalistas, para que você descubra uma vocação muito diferente no livro 101 Profissões Fora do Comum para Pessoas Nada Normais, lançado pela Editora Belas Letras. É um teste vocacional que não tem valor científico, mas tem um critério claro: a partir das respostas, o leitor é direcionado para uma das cinco áreas do livro e, então, é só escolher entre as mais esdrúxulas ocupações. Se você acabou caindo no grupo dos “porraloucas”, por exemplo, pode cogitar uma carreira promissora como guia turístico de destinos exóticos ou caçador de prêmios em concursos culturais.
Em 2012, os dois lançaram “Vida de jornalista como ela é”, relatando o cotidiano da profissão de uma forma mais bem humorada. Agora, a dupla mistura ficção e realidade para divertir e também provocar uma reflexão nos leitores. Emerson e Anderson responderam a três perguntas do blog:

Que profissão vocês diriam que é a mais curiosa do livro?
Anderson: Tem uma profissão que existe nos Estados Unidos, mas que é proibida aqui: doador top de sêmen humano. No Brasil, não se pode vender sêmen, apenas doar, mas lá isso é normal. A seleção é rigorosa e as pessoas ganham muito dinheiro. Outra curiosa é o administrador de mortos digitais. Parece absurdo, mas o cara que é pago para administrar as redes sociais de alguém que faleceu. O familiar contrata um profissional para, por exemplo, continuar escrevendo em um blog de poesia que o falecido mantinha. Não é algo muito comum, mas existe.
Emerson: Mas acho que as mais curiosas foram a que nós inventamos: o gestor de efeitos colaterais para viciados em Pokemón Go, destinada para aqueles que vão jogar e são atropelados, trombam nas pessoas ou sofrem outros acidentes, e o organizador de casamentos da Gretchen.
Então “101 Profissões Fora do Comum para Pessoas Nada Normais” é um livro de humor?
Anderson: Algumas profissões são verdadeiras, algumas são totalmente inventadas, algumas existem apenas no exterior… Não é um guia convencional. Nossa intenção foi fazer as pessoas se divertirem enquanto refletem sobre profissões, habilidades, mercado de trabalho…
Que profissão vocês indicariam para uma pessoa um pouquinho normal? 
Emerson: Tem que fazer o teste motivacional primeiro. Dividimos o livro em cinco áreas, que vão da vaidade (que é para subcelebridade, youtuber, etc) ao idealismo (que englobam orientador para consumo consciente e agricultor orgânico). São dez perguntas que direcionam o leitor para uma das áreas. E é bom que se diga que colocamos profissões até que comuns, como médico e jornalista, só que elas foram reinventadas por nós. O jornalista, por exemplo, é o jornalista que checa a informação. O médico é o médico que tem empatia pela família do paciente. O político é o político honesto. São tradições clássicas que as profissões perderam.