O ano começou pegando fogo. O dia 3 de janeiro de 2014, com seu pico de 35,4ºC (nona temperatura mais alta da história de São Paulo), foi o mais quente da capital paulista desde outubro de 2012. Para amenizar os efeitos do verão, o jeito é se jogar na piscina. Com o crescimento da integração dos animais de estimação à família brasileira, estes são muitas vezes levados para dentro d’água por seus donos.

Segundo Andressa Ávila, médica veterinária do Hospital Veterinário Sena Madureira, os bichinhos passam, sim, por maus bocados em dias de calor.  “Nessa época do ano, chegamos a socorrer cachorros com temperatura corporal de 42º C”, conta. Normalmente, a temperatura deles não ultrapassa os 39,2º C. Por instinto, os cães costumam saber nadar. Mas eles conseguem sair da piscina sozinhos? “Não. O cachorro possui uma dificuldade anatômica”, responde o veterinário Eduardo de Souza Teixeira. “Ele não flexiona o cotovelo e, por isso, não tem apoio nas patas para impulsionar o corpo”. Eduardo explica que os animais saem facilmente de dentro do rio ou do mar, porque quando se aproximam das margens o nível da água diminui.

Nos anos 90, ainda estudante de Medicina Veterinária na Universidade de Marília, no interior de São Paulo, Eduardo criava pastores alemães. Em 1992, um colega da faculdade o convidou para conhecer seu recém-comprado filhote, um pastor de dois meses de idade. Chegando à casa, não encontraram o animal. O cãozinho havia pulado na piscina e, sem forças para continuar nadando, morreu afogado. Foi esse acidente que  incentivou Eduardo a desenvolver uma plataforma para ajudar os cachorros a saírem da água.

O primeiro protótipo do projeto ficou pronto naquele mesmo ano. Eduardo testou a plataforma com seus próprios cães, na piscina da faculdade.  A ideia acabou ficando na gaveta até 2006. Nesse ano, o veterinário foi demitido de uma multinacional de ração na cidade de Descalvado (SP). “Percebi que era hora de apostar em meus próprios projetos”. O produto foi lançado em junho do mesmo ano. Vendeu 28 unidades nos seis primeiros meses, mas começou a receber as primeiras reclamações. A plataforma funcionava, mas era visualmente feia para ser acoplada na escadinha da piscina. Além disso, depois de certo tempo em contato com a água, o objeto de ferro se deteriorava. Eduardo interrompeu as vendas. “Vi um sonho de 10 anos ir por água abaixo”. O veterinário, no entanto, não desistiu. “No início de 2007, tive um estalo”, lembra. “Pulei do sofá, arranquei a capa de um livro da pós-graduação e comecei a desenhar”. O resultado foi o projeto de um novo equipamento, dessa vez de plástico, ajustável e colorido.  José Teixeira, ex-técnico do Corinthians e pai de Eduardo, ajudou o filho a abrir uma nova patente para o produto, batizado de Save Dog.

 

As vendas se reiniciaram em junho de 2007. “Enviei de graça plataformas novas para os 28 clientes que tinham comprado meu produto de ferro”.  Por meio da internet, Eduardo recebeu uma avaliação positiva sobre sua peça. “Seu produto não tem nada a ser alterado, é excelente”, escreveu um engenheiro naval da Petrobrás. O Save Dog é vendido exclusivamente pela internet. A plataforma suporta cães de até 90 quilos e custa R$ 420, além do valor do frete. Hoje, o veterinário trabalha para desenvolver o “Comedouro”, produto que protege a ração dos cachorros de formigas.

E quem não tem piscina? Como pode resolver o problema do calor dos bichinhos? A veterinária Andressa Ávila dá algumas dicas para ajudar a refrescar os cães durante o verão:
1 – Realizar os passeios em parques antes das 10h e depois das 18h;
2- Verificar se o asfalto não está quente, pois é comum a temperatura elevada causar queimaduras nas patas do cão;
3- Escolher uma focinheira que não aperte a boca do animal, para não prejudicar o processo de ofegação;
4 – Resfriar o cão com banho de chuveiro ou mangueira com água fria.