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A trágica história de Jumbo, o maior elefante do mundo

22 de junho de 2020

Ele foi considerado o maior elefante do mundo. Tinha 3,45 metros de altura – um elefante africano selvagem mede, em média, 2,85 metros – e 7 toneladas. Ao analisar seus ossos, cientistas encontraram uma fenda no fêmur, o que indicaria que ele ainda estava crescendo quando morreu, em 1885 (poderia ter passado os 4 metros, calcularam). Um documentário produzido pela inglesa BBC, “Attenborough e o Elefante Gigante”, de 2017, reuniu especialistas de diferentes áreas para examinar o esqueleto do elefante Jumbo, que está no Museu de História Natural de Nova York. O documentário foi apresentado pelo renomado naturalista britânico David Attenborough.

Jumbo foi capturado na fronteira da Eritreia com o Sudão em 1862. Ele tinha um ano. Ganhou o nome de Jumbo, que significa “olá” (jambo) no idioma africano suaíli.  Passou por um zoológico privado na Alemanha e depois pelo Jardin des Plantes, em Paris, na França. Logo os franceses o trocaram por um rinoceronte, um canguru, um gambá, um chacal, um casal de águias e dois dingos com o Zoológico de Londres, em 1865 (há fontes que falam em 1863).

O elefante inspirou o livro “Dumbo”

O gigantesco elefante inspirou o livro de Helen Aberson, lançado em 1939:  Dumbo – The Flying Elephant, que conta as aventuras de um bebê elefante, que tem orelhas gigantes e, por causa delas, consegue voar. A obra foi levada para o cinema dois anos depois por Walt Disney. E foi também a inspiração para o apelido dado ao Boeing 747, devido ao tamanho da aeronave.

Fotografias e gravuras da época mostram Jumbo no zoológico de Londres, carregando diversos visitantes – de crianças a adultos – nas “costas” para passeios em sua área, batizada de “Casa dos Elefantes”. Ter a oportunidade de “andar de Jumbo” era uma das aventuras mais emocionantes para os londrinos naquela época, incluindo o jovem Winston Churchill e os filhos da rainha Vitória. Jumbo encantava também o público “roubando” pães das mãos das crianças com a tromba.

Uísque e vinho para sedar o animal

Por volta de 1880, o elefante que era manso durante o dia sofria “ataques de fúria” à noite – os acessos de raiva chegaram a danificar, em diversas ocasiões, as cercas de madeira que ficavam ao seu redor. Foi justamente a época em que Jumbo atingiu sua maturidade sexual. Poderia ser o motivo da destemperança, mas Jumbo tinha também dores no joelho (por carregar peso em excesso), problemas nos dentes e uma dieta pouco saudável. Alguns relatos sugerem que Matthew Scott, o fiel tratador de Jumbo, costumava dar biscoitos embebidos em uísque e vinho ao animal para sedá-lo.

Havia medo, portanto, que esses constantes ataques de ira de Jumbo causassem uma desgraça. O diretor do zoo, Abraham Bartlett, decidiu vendê-lo em 1881 ao magnata circense norte-americano P. T. Barnum, que pagou o equivalente hoje a 250.000 dólares. O negócio foi bastante criticado pelos ingleses que viam o elefante como “animal nacional”. A própria rainha Vitória mostrou seu desagrado com a decisão. Cerca de 15 000 pessoas se acotovelaram no zoológico nos dias seguintes para se despedir de Jumbo. Muitos levaram presentes, como vinho, cerveja, doces, bolos, abóboras e até ostras. Na hora de ir embora, Jumbo se negou a entrar no caixote que devia transportá-lo aos Estados Unidos, quebrando várias vezes as correntes que tentavam contê-lo. Foram três dias assim. Só aceitou embarcar com a presença de Scott. Centenas de ingleses foram ao porto em 1º de abril de 1882 para o último adeus.

Jumbo morreu atropelado por um trem

Quando Jumbo finalmente chegou a Nova York, em 10 de abril, Barnum o exibiu num desfile pela Broadway. Depois disso, 10 mil pessoas fizeram fila para ver a colossal celebridade animal no Madison Square Garden, sede do Barnum & Bailey Circus. Barnum recuperou o dinheiro investido em apenas três semanas. Ao longo de três anos, “O Maior Espetáculo do Mundo” viajou quase 52 mil quilômetros por toda a América do Norte tendo Jumbo como sua principal atração. Até então o circo era especializado em atrações bizarras, como mulheres barbadas e irmãos siameses. Jumbo não ficou sozinho porque havia outros 20 elefantes no circo. A trupe de paquidermes chegou a ser contratada para cruzar a ponte do Brooklyn para demonstrar a segurança da obra de engenharia.

Jumbo morreu atropelado por um trem às 20h15 do dia 15 de setembro de 1885. Ele e outro elefante menor, Tom Thumb (Pequeno Polegar), foram os últimos animais a se apresentarem na cidade de St. Thomas, em Ontário, no Canadá. Matthew Scott não obedeceu a ordem dos funcionários da estação de só carregar os elefantes depois das 21h55.  Quando os dois elefantes caminhavam pelo conjunto de trilhos até os carros, a locomotiva  nº 151 apareceu na pista paralela. O trem não conseguiu parar a tempo e acertou primeiro Tom Thumb, deixando-o com uma perna quebrada. Atingido por trás, Jumbo foi empurrado até um carro do circo estacionado na pista ao lado. Sua cabeça foi esmagada. O maior elefante do mundo morreu 15 minutos depois. Vândalos cortaram pedaços do corpo de Jumbo como lembranças.

Ganhou uma estátua na cidade em que morreu

Aos repórteres, o dono do circo tentou dar grandiosidade ao atropelamento: disse que Jumbo teria se jogado na frente do trem para proteger o elefante menor. Jumbo tinha 24 anos. Um elefante em liberdade pode chegar aos 60 ou 70 anos. Decidido a rentabilizar seu investimento até o fim, Barnum vendeu o esqueleto e ordenou que dissecassem seu cadáver. Os taxidermistas que realizaram o trabalho encontraram no estômago do animal cerca de 300 moedas que os admiradores devem ter dado a seu cuidador para subir em suas costas.

Jumbo ganhou uma estátua na cidade de St.Thomas – e o museu local é quase um memorial do elefante. O esqueleto que está no Museu de História Natural de Nova York não apresenta fraturas, o que fez os cientistas concluírem que Jumbo morreu de hemorragia interna. No livro “Jumbo – The Unauthorised Biography of a Victorian Sensation” (2014), o autor John Sutherland alega que a morte não foi um acidente. Segundo ele, o elefante estava doente e, para evitar uma morte lenta, Scott e Barnum encenaram a situação que levou ao atropelamento. Scott não tocou nesse assunto no livro que escreveu no mesmo ano da morte do animal. O livro “Jumbo’s Keeper” não foi tamanho jumbo: tinha apenas 50 páginas.

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