SANDRO DE AMÉRICAAcabei de voltar de Buenos Aires.  E já estou fazendo planos de voltar. É que justamente no dia em que embarquei de volta, sexta-passada, estreou no Teatro Broadway o musical Por Amor a Sandro, de Ariel del Mastro. A superprodução, estrelada por Fernando Samartín, conta a história de uma fã que tem sua vida mudada pela devoção a um ídolo. Trata-se de uma homenagem ao cantor Roberto Sánchez, mais conhecido como Sandro de América, ídolo argentino, falecido em 2010. Ele tinha 64 anos e morreu por causa de complicações de um enfisema pulmonar,  contra o qual lutava desde o fim da década de 1990. Roberto Sánchez nasceu em 1945 na periferia de Buenos Aires. Começou sua carreira artística como cover  de Elvis Presley. Em 1960, já com o nome artístico de Sandro, foi o primeiro cantor argentino a gravar um rock na língua espanhola. Com a explosão do gênero, Sandro e sua banda (Los de Fuego) gravaram versões de músicas dos Beatles, The Animals e Chuck Berry.

Sandro é mais conhecido pela segunda fase de sua carreira, que teve início em 1967 e é marcada por interpretações românticas e sensuais. Nessa época, o ídolo conquistou o público feminino ao liderar uma campanha a favor do sexo antes do casamento. Em seu currículo estão pelo menos 50 sucessos musicais e participação em 12 filmes. No total, ele gravou 52 álbuns e vendeu 8 milhões de discos.

El Gitano (em português, “o cigano”), apelido que faz referência ao figurino extravagante do cantor, pode ser considerado um dos maiores ídolos pop das Américas. Em 1969, recebeu um disco de ouro em Nova York por ter sido o latino-americano com a maior quantidade de discos vendidos nos Estados Unidos. Ele foi o primeiro artista da região a lotar o Madison Square Garden, em 1970.

Sobre o musical agora em cartaz em Buenos Aires, vale dizer que não é costume montar um espetáculo desse porte para contar a história de personalidades contemporâneas. Edith Piaf e Eva Perón só foram encenadas na Broadway 15 e 27 anos depois de suas mortes, respectivamente. Só que li que a vida e as músicas do cantor argentino fazem de Por Amor a Sandro um show inovador entre o gênero.

O espetáculo preparou ainda outras surpresas, que devem agradar aos mais fanáticos: há três objetos originais do cigano espalhados pelo cenário e figurino da peça: a porta de sua casa no bairro de Banfield, sua clássica jaqueta de couro preta e o cachecol vermelho de lã imortalizado pelo ídolo.

As curiosidades não param por aí. Por que o musical é um atrativo também para brasileiros de passagem por Buenos Aires? Fácil resposta. Além de poder ser comparado ao nosso rei Roberto Carlos no quesito paixão nacional, Sandro é diretamente relacionado a outro ídolo tupiniquim: Sidney Magal. O ícone brega gravou versões em português das músicas Tengo (Tenho, na voz de Sidney) e Sandra Rosa Madalena. A clara semelhança de estilo entre os dois não é coincidência. O lançamento de Sidney Magal no Brasil foi uma resposta da gravadora RCA brasileira à filial argentina, que se vangloriava com o sucesso de Sandro.

No ano passado, tive uma experiência muito boa em Nova York com um musical do mesmo gênero. Adorei Jersey Boys, que conta a história de Frankie Valli e do grupo Four Seasons.