Como produz o brinquedo até hoje (e com sucesso), a empresa Xalingo ficou com a fama. A Xalingo foi fundada na cidade gaúcha de Santa Cruz do Sul em 1947 e o brinquedo, como está estampado na caixa, apareceu em 1956. Primeiro com o nome “Construtor” e depois “Brincando de Engenheiro”.

Só que, na verdade, as caixas de tijolinhos de madeira foram criadas um pouco antes pelo imigrante austríaco Rodolpho Haltrich, que chegou ao Brasil em 1909. Ele trabalhou num curtume e numa litografia até abrir seu primeiro negócio, a Fábrica de Madeira Paraná, em Curitiba, no ano de 1915.  As Indústrias Haltrich fizeram os primeiros tijolinhos com a marca Brinquedos Papagaio, que tinha fábrica em Imbituva (PR). A primeira caixa de tijolinhos era triangular e se chamava “Concreto e Tijolos”. Isso aconteceu no final da década de 1930, começo da década de 1940 (o texto das embalagens trazia a ortografia anterior à reforma de 1943).

As peças, pintadas à mão, permitiam montar casas, castelos ou até cenários lúdicos. Tudo levar a crer que Haltrich se inspirou em brinquedos de sua terra natal. Algum tempo depois, a caixa ganhou novo nome: “O Tijolinho Mágico”. Ao longo dos anos e em diferentes fabricantes, o brinquedo educativo foi sendo batizado de formas variadas, como “Pequeno Construtor”, “O Pequeno Arquiteto” e “O futuro Engenheiro”.

Outro nome importante na história dos tijolinhos foi do imigrante suíço Guilherme Seiler, que chegou a ser sócio de Haltrich. Na década de 1960, a Brinquedos Guilherme Seiler foi absorvida pela Brinquedos Coluna, de São Paulo, fundada em 1962.

A Xalingo foi fundada em 1947 pelos irmãos Xavier e Lindolfo Braunger, em sociedade com Erna e Rolf Loewenhaupt, e Léo Kreether. Era uma pequena fábrica de artefatos de madeira, com produção de utensílios domésticos e estojos escolares. Chamava-se inicialmente Xavier e Braunger e Cia. Ltda. Em 1959, Ingo Ebert entrou na sociedade e, dois anos depois, a empresa foi rebatizada de Xalingo – nome originado a partir de sílabas dos nomes dos sócios (XAvier, LINdolfo e InGO). Ingo comprou as partes dos demais e passou a cuidar da empresa junto com a mulher, Norma Laura Baumhardt Minatto.

Para contar essa história, agradeço a colaboração de dois grandes colecionadores e pesquisadores: Dr. Reinaldo Domingos e Caio Henrique Barison Tassi, que encontrei graças ao blog Minhas bonecas e brinquedos, de Gisele Teresinha.