Num período da minha vida, fui várias vezes seguidas aos Estados Unidos e invariavelmente voltava com moedas no bolso. Principalmente moedinhas de 1 cent, os chamados “pennies”. Na viagem seguinte, porém, não levava as moedas comigo e voltava com outras mais. E elas iam se acumulando em casa. O que fazer com tantas moedas? Certa vez, numa livraria em Nova York, encontrei um álbum para colecionadores de moedas de 1 cent – e me tornei um deles.
O álbum abrange o período entre 1969 e 2015, embora o one cent exista desde 1793. Foi somente em 1909 que ele ganhou no seu verso o rosto de Abraham Lincoln, no ano do centenário de nascimento do 16º presidente norte-americano. O anverso passou por uma série de mudanças, mas Lincoln nunca saiu do verso. Além do álbum, tenho alguns pennies anteriores a 1969 e todos até 2024, guardados separadamente.
Mas as moedas não são todas iguais? Não exatamente. A coleção tem ao menos uma de cada ano. Em alguns casos, há moedas identificadas com o ano e uma letra. A D indica que ela foi cunhada em Denver, no Estado do Colorado, e a S significa São Francisco, na Califórnia. Se não tiver nenhuma dessas letras, ela terá sido cunhada na Filadélfia. Faltam apenas três para completar o álbum: 1968-S, 1969-S e 1970-S.
Com o tempo, o penny ganhou a fama de amuleto. Uma moeda encontrada na rua pode garantir sorte pelo dia inteiro. Pelo sim pelo não, levo na carteira um one cent de 1964, ano de meu nascimento.
Acontece que a curiosa coleção está com os dias contados. As moedas de 1 centavo deixarão de ser fabricadas no início de 2026. Cada uma custa atualmente 3,69 centavos aos cofres do Tesouro dos Estados Unidos, o que significou uma perda de 85 milhões de dólares no ano passado. Calcula-se que existam 114 bilhões de moedas de 1 centavo ainda em circulação, muitas delas esquecidas em gavetas, carteiras e bolsas. Tenho 500 delas numa lata, caso algum colecionador deseje trocar.
