“O importante não é vencer, mas competir”. A mais famosa citação do barão Pierre de Coubertin, presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), tem uma história bastante curiosa. Ela foi inspirada em um discurso de um personagem pouco conhecido da história olímpica: o americano Monsenhor Ethelbert Talbot, bispo da Pensilvânia Central. Na mesma época em que Londres sediou os Jogos de 1908, Talbot foi convidado para a 5ª Conferência dos Bispos Anglicanos, que reuniu 247 representantes do mundo inteiro na capital inglesa. Em 19 de julho de 1908, na Catedral de St. Paul, Talbot fez um sermão eloquente para uma plateia cheia de atletas olímpicos. Disse aos convidados em determinado momento: 

“(…) Cada atleta se esforça não apenas pelo esporte, mas pelo bem de seu país. Assim, uma nova rivalidade é inventada. Se a Inglaterra for derrotada no rio, ou a América for superada na pista de corrida, ou se aquele americano perder a força que outrora possuía. Bem, e daí? A única segurança, afinal, está na lição da verdadeira Olímpia — que os Jogos em si são melhores do que a corrida e o prêmio. (…) Embora apenas um possa usar a coroa de louros, todos podem compartilhar a alegria igual da competição.” 

Cinco dias depois, em 24 de julho, nas Galerias Grafton, o governo britânico fez um grande banquete para membros do COI e representantes diplomáticos. Em seu discurso, Coubertin parafraseou Talbot: “Nestas Olimpíadas, o importante não é vencer, mas participar. Cavalheiros, lembremo-nos desta forte declaração. Ela se aplica a todo esforço e pode até ser tomada como base de uma filosofia serena e saudável. O que conta na vida não é a vitória, mas a luta; o essencial não é conquistar, mas lutar bem. Espalhar esses preceitos é ajudar a criar uma humanidade mais valente, mais forte, mais escrupulosa e mais generosa.” O discurso foi impresso na “Revista Olímpica” em 1908.

Nas duas Olimpíadas seguintes – Estocolmo (1912) e Antuérpia (1920) -, Coubertin voltaria a citar as palavras do Bispo da Pensilvânia Central, mas sem qualquer tipo de repercussão. A frase foi esquecida nos Jogos de 1924, em Paris. Até que ela reapareceu oficialmente na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Los Angeles de 1932, quando foi exibida no placar do L.A. Coliseum. Quatro anos depois, a frase foi ouvida, na voz do barão, numa gravação, pelos alto-falantes do Estádio Olímpico de Berlim.

Desde então, ela ficou tão famosa que passou a ser chamada de Lema Olímpico ou Credo Olímpico: “O mais importante nos Jogos Olímpicos não é vencer, mas participar, assim como o mais importante na vida não é o triunfo, mas a luta. O essencial não é ter conquistado, mas ter lutado bem.”