Acredite se quiser: desde 1963, a London Walks, uma empresa de turismo londrina, oferece um tour pelos pontos da cidade onde Jack, o Estripador, deixou suas marcas. Localizada a apenas 6 quilômetros da Vila Olímpica, que abrigará os atletas dos Jogos de 2012, a região de Whitechapel foi, em 1888, o cenário do brutal assassinato de cinco mulheres que se prostituíam.Bairro londrino de Whitechapel
No tour, os visitantes são conduzidos aos becos e corredores aterrorizantes onde o serial killer seduzia suas vítimas. Os guias, especialistas em Jack, o Estripador, já pesquisaram e escreveram livros sobre o assunto. Para aumentar ainda mais a tensão e imprimir tom realístico ao passeio, a empresa tem suas estratégias: inicia o tour à noite, aceita um máximo de 20 pessoas por grupo e distribui fotos vitorianas das ruas que vão sendo visitadas. Aos sábados, há um sessão matinê, às 3 da tarde, para os mais medrosos.
O programa, que dura cerca de 2 horas, sai ao preço de 8 libras (23 reais) por pessoa. No trajeto, estão previstas visitas ao prédio onde morava Michael Ostrog, principal suspeito dos assassinatos, ao beco aonde Jack levava suas vítimas, ao bar onde a primeira vítima foi vista pela última vez e o convento ao qual a última mulher a morrer nas mãos do estripador pediu abrigo pouco antes do crime.
No fim do século XIX, a Inglaterra era a maior metrópole do mundo, e a rainha Victoria completava meio século de reinado. O distrito de Whitechapel contrastava com o restante da cidade. Era um reduto de drogados, bêbados e criminosos, onde viviam 76 mil habitantes em condições de pobreza. Era lá que se concentravam os imigrantes, que sofriam preconceito por competirem com os ingleses por empregos.
Em meio à superpopulação, as pessoas lutavam pela sobrevivência. Para os mais pobres (cerca de 8.500 pessoas), havia 233 alojamentos no bairro. Uma cama de casal custava 8 centavos de libra (24 centavos de real), uma de solteiro saía por 4 centavos (12 centavos de real). Quem não podia pagar pelas camas podia dormir em pé, encostado em uma corda, pelo valor simbólico de 2 centavos de libra (6 centavos de real). As mulheres solteiras passavam por dificuldades de sustento. A necessidade de alimentar os filhos e de poder pagar por uma cama no fim do dia fez com que muitas delas apelassem para a prostituição. Jack, o Estripador, apareceu no lugar certo e na hora certa. Ele apavorou a população, que já penava com as baixas condições de vida, o desemprego, o preconceito e a fome.
Os ataques às prostitutas de Whitechapel ocorreram entre os dias 31 de agosto e 9 de novembro de 1888. A brutalidade do assassino e o fato de a imprensa de Londres já estar consolidada fizeram de Jack, o Estripador, um dos mais famosos serial killers do mundo. O jornal “The Star” chegou a vender 232 mil exemplares por dia nos meses dos crimes. Foi esse veículo que sugeriu que os três primeiros assassinatos foram cometidos pela mesma pessoa. Graças a uma carta enviada a uma agência de notícias londrina assinada por “Jack, o Estripador”, o antes “Assassino de Whitechapel” ganhou seu mundialmente famoso apelido.
Jack, o Estripador, retalhava os corpos de suas vítimas, expondo suas vísceras e retirando seus órgãos genitais e membros. A primeira delas foi Mary Ann Nichols, conhecida como “Polly”, morta em 31 de agosto. No dia 8 de setembro, Jack matou Annie Chapman e, no dia 30 do mesmo mês, Elizabeth Stride e Catherine Eddowes. Sua última vítima foi Mary Jane Kelly, em 9 de novembro.
Relatório policial da morte de Mary Ann Nichols
