Praticada desde o século XIX no país, a olivicultura só tem dado alegria aos produtores brasileiros. O cultivo de azeitonas e a produção de azeite atingiu um patamar elevado no final da década passada e aponta para um crescimento ainda maior nos próximos anos. A produção estimada para 2017 deve se aproximar dos 100 mil litros de azeite, o que representa um aumento de quase 1.000% em relação a 2016. Apesar de inúmeros motivos para comemorar, a falta de estudos aprofundados sobre o tema limita o alcance da atividade. Pensando nisso, a advogada Glenda Haas, especializada em Direito Econômico, quer ajudar a revolucionar a área. Ela estuda a olivicultura desde 2013. Fez cursos na Europa e nos Estados Unidos, visitou recentemente um olival na Grécia e agora pretende modernizar a atividade no país: “O nosso azeite tem muita qualidade, mas existe pouca pesquisa por parte dos produtores. Nosso objetivo é difundir conhecimento sobre o azeite de oliva extra virgem no Brasil entre quem produz e quem consome”, conta. Para isso, ela se uniu a João Alexandre Motta e Paula Becker na criação da Olivoteca, um projeto que promete azeitar o diálogo entre todos que fazem parte dessa cadeia.
A Prosperato, de Caçapava do Sul (RS), vem investindo em tecnologia desde 2011 e lançou seu azeite em 2013. “Não vemos ainda a necessidade de competir com os azeites estrangeiros, porque temos muitas lacunas para preencher no mercado interno”, diz o diretor Rafael Marchetti. “Sempre que termina a colheita falta azeite em algum lugar. Mas nenhum país é perfeito. Visitamos olivais do mundo inteiro e descobrimos muitos problemas. No ano passado, mandamos o nosso azeite para uma inspeção internacional e fomos premiados”. A Prosperato ficou com a medalha de prata no “Domina International Olive Oil Contest”, concurso de azeites de grande prestígio na Itália.
Glenda e a sua Olivoteca pretendem estabelecer parcerias com produtores internacionais. O primeiro intercâmbio será em abril: “Hoje a liderança do mercado está com a Espanha. A Itália vem atrás. Vamos começar com cursos em Portugal, que é outro grande produtor, até pela facilidade com o idioma”, diz. Ela acredita que, caso a olivicultura se desenvolva no país, o Brasil terá condições de competir com os melhores azeites do mundo, sobretudo no mercado interno: “Não digo em quantidade, mas sim em qualidade. Pensando no mercado interno, temos a vantagem do frescor: em uma semana a oliva extraída já está nos supermercados em forma de azeite”, comemora.
