Era 24 de junho de 1950, dia da abertura da quarta edição da Copa do Mundo. Brasil e México se enfrentariam, às 15h, no Maracanã, o maior estádio do mundo. Mas, nas capa dos jornais, o assunto principal era outro: o Plano Schuman. Se fosse hoje em dia, o desavisado leitor poderia imaginar que o tal plano era uma revolucionária formação tática criada por um treinador alemão. Nada disso. Naquela altura, apesar de a Copa do Mundo estar sendo jogada no país, o futebol ficava em segundo plano. O mundo ainda sentia os reflexos do fim da Segunda Guerra e da nova geopolítica da Guerra Fria.
A Copa no Brasil marcou a volta da competição – cancelada em 1942 e 1946 justamente por causa do conflito, que terminou em 1945. A Alemanha havia sido dividida em duas: a Ocidental, capitalista, e a Oriental, comunista. Com a necessidade de o Ocidente assegurar o carvão e os minérios alemães, o negociador luxemburguense Robert Schuman (1886-1963), representante do governo francês, elaborou o projeto para criação de um mercado comum europeu, que ficou conhecido como CECA (Comunidade Europeia do Carvão e Aço), o embrião da atual União Europeia.
O Plano Schuman apenas foi concretizado em 1951, mas a apresentação inicial do projeto aconteceu em 9 de maio de 1950. Depois, entre 1958 e 1960, Schuman exerceu o cargo de 1º presidente do Parlamento Europeu e recebeu o título de “Pai da Europa”. Dos grandes jornais, apenas O Globo deu destaque à abertura da competição.
No domingo, depois de uma vitória acachapante da Seleção Brasileira por 4 x 0, Robert Schuman perdeu a capa para a grande atuação de Ademir de Menezes, autor de dois gols. Posteriormente, somada a empolgação da torcida brasileira, a Seleção passou a estrelar as principais manchetes dos grandes periódicos nacionais, até mesmo no dia 26 de julho, o fatídico jornal que destacou as falhas brasileiras que “tornaram mais patente uma tarde infeliz dos jogadores patrícios”, o retrato de um Maracanazzo que não estava nos planos.
