(Se você mora no Chile, essa reportagem contém spoilers)
Ele lembra exatamente a data. Foi no último dia 5 de julho. O chef Jaqueson Dichoff, da Pizzaria Vituccio, no bairro de Vila Ipojuca, em São Paulo, recebeu um e-mail da jornalista chilena Pilar Campusano com um convite: participar de um programa do Canal 13, um dos mais tradicionais do Chile, que iria escolher “a melhor pizza margherita do mundo”. Chamado de “Semplicemente Pizza” (“Simplesmente Pizza” em italiano), o formato tem a ousada pretensão de dar uma volta ao mundo a bordo de um dos alimentos mais apreciados do planeta. Só em São Paulo calcula-se que são consumidas 1 milhão de pizzas diariamente. Paulistano de nascimento, mas descendente de italianos, Jaqueson recebia ali a resposta pela coragem que teve oito anos atrás, quando largou uma carreira já sólida como publicitário para se dedicar a sua grande paixão: “Sempre cozinhei para todo mundo”, afirma. “Morei em Nápoles por um tempo, sou apaixonado por pizza. Meu maior arrependimento é não ter tomado essa decisão antes”.
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A tradição napolitana, por sinal, foi o fator número 1 para que a equipe do “Semplicemente Pizza” pudesse escolher os melhores. Depois de selecionadas as “capitais da pizza” – Nápoles, Barcelona, Nova York, Santiago, Buenos Aires e São Paulo – os chilenos foram até o moinho mais antigo da Europa, o Aguggiaro e Figna, de onde sai a farinha Le Cinco Stagione, referência para quem quer fazer uma boa pizza napolitana. A partir dessa pesquisa, a produção do Canal 13 selecionou uma lista de estabelecimentos em cada uma das cidades – em São Paulo, foram seis. Escolheram as três melhores histórias nas seis “capitais”, resultando em 18 pizzarias semifinalistas.
A partir daí, foram dois meses viajando pelo mundo em busca da pizza perfeita. Na maior cidade do Brasil, além da Vituccio, concorreram a Casale di Pizza e a Fior di Grano, ambas em Moema. “No primeiro dia, eles vieram para conhecer a história, quiseram saber de tudo”, ri Jaqueson. “Depois, no segundo, fomos passear com eles. O programa também vai mostrar a cidade. Eu escolhi o Mercado Municipal, onde eles conheceram o meu fornecedor de mussarela. Também teve um lado turístico: fui com eles a um jogo do Palmeiras”, conta Jaqueson. “Só no terceiro dia de gravação é que experimentaram a pizza”.
Terminadas as avaliações, a equipe, formada por cinco pessoas, ficou quatro dias sem dar notícia. “Foi aí que eles voltaram para me dizer que eu havia sido o escolhido para a final”, relembra o vencedor. Jaqueson Dicheff estava, então, classificado para a grande final, onde disputará com os vencedores das cinco outras cidades o título de melhor pizza margherita do mundo. As provas acontecerão em um festival homônimo ao programa que desde o dia 22 de outubro faz parte da programação do Canal 13 aos sábados. Exibida às 23h30 e com uma hora de duração, a disputa tem oscilado entre 7 e 8 pontos de audiência.
Cada cidade ganhou um episódio apresentado pelo músico Jean Philippe-Cretton, que deixou o posto de jurado do “The Voice” chileno, para comandar o projeto. Ele já havia tido uma experiência como apresentador no programas de viagem “Chile Extremo”, onde levava personalidades locais a lugares bem inóspitos. O episódio de estreia foi em Nápoles, onde ele conheceu as maiores e mais importantes tradições envolvendo a pizza e escolheu a margherita de Giovanni Improta. Nas semanas seguintes, o programa classificou também Luigi Castravelli (Barcelona) e Pasquale Cozzolino (Nova York).
Neste sábado, dia 12, será mostrado o episódio de São Paulo, onde o público chileno será apresentado a Jaqueson Dicheff. Como a ideia é que os telespectadores conheçam e criem intimidade com os concorrentes, ele já sabe quais serão suas credenciais: “Tento acompanhar o movimento dos últimos anos, que é o de fazer a massa mais leve, como se faz em Nápoles”, explica. “Aquela pizza que você come e vai dormir sem que ela fique ‘conversando’ com você. Além disso, quero que o cliente se sinta sempre em casa. Minha equipe toda sabe fazer as pizzas porque eu vou de mesa em mesa. A equipe, aliás, é quem vai segurar as pontas enquanto o chefe estiver em Santiago para a finalíssima. Ele embarca no próximo dia 16.
Nas próximas semanas, nos programas dos dias 19 e 26, serão revelados aos chilenos os vencedores de Buenos Aires (Maurizio de Rosa) e Santiago (Rafaelle Medaglia). Antes mesmo do último episódio dessa etapa ser exibido, os seis finalistas já estarão na capital chilena para a etapa decisiva, que será realizada do dia 24 ao dia 27 e exibida ao público no sábado seguinte, 2 de dezembro. Segundo o representante brasileiro, não há a expectativa por recompensas financeiras em caso de sucesso: “Pelo menos por enquanto não foi falado nada sobre premiação em dinheiro. Apenas sabemos que teremos as despesas pagas pelo Canal 13”. De todos os finalistas, ele é o único que não nasceu em Nápoles e garante estar tranquilo para a decisão. “Eu vou lá para me divertir. Não vim de uma família de pizzaiolos, mas procuro aprender sempre. Já sou o melhor não napolitano do mundo!”, brinca.