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A história da Geleia de Mocotó Colombo

Você conhece a história da geleia de mocotó?  Existem relatos de que ela é feita no Brasil desde o período colonial. Mas o produto ganhou fama de verdade quando a afamada Confeitaria Colombo, no centro do Rio de Janeiro, começou a servir sua geleia de mocotó no chá da tarde, em 1897, três anos depois de sua inauguração.

Os clientes queriam levar a iguaria. Foi assim que, em 1906, a Geleia de Mocotó Colombo acabou indo parar dentro de bonitos copos de vidros para serem vendidos no armazém da casa. Existiam outros sabores, como laranja, manga, marmelo, pêssego e até pitanga. Mas a de mocotó era a número 1. Um drinque feito com geleia de mocotó e conhaque, tido como afrodisíaco, também fazia sucesso.

Só dez anos depois, a produção deu um salto e a geleia passou a ser vendida em mercados. Em 1919, o português Manuel Lebrão deixou a confeitaria para três funcionários que estavam lá desde a fundação. Eloy José Jorge cuidava de toda a área de produção (o que se conta é que a ideia de produzir e incluir a geleia de mocotó no cardápio foi dele) e Antonio Ribeiro França era responsável pelo atendimento. O terceiro sócio foi Antonio Francisco Corrêa.

Lebrão ficou só com a Fábrica Colombo, que produzia doces, creme de arroz e geleias.  Em 1992, a marca foi vendida para a Arisco, comprada depois pela Unilever.

No final da década de 1960, apareceria a grande rival da Colombo, a geleia de mocotó Inbasa (Indústria Brasileira de Alimentos S.A.). O slogan que ficou mais famoso foi: “A criança fica com a geleia. A mamãe, com o copo”. As duas marcas não existem mais hoje. Outras vieram substitui-las no mercado. Há até uma versão vegana da geleia de mocotó.

Popularmente se diz que o mocotó é feito a partir do tutano (medula óssea) bovino, rico em colágeno. A explicação mais completa é que vem das extremidades das patas, onde ficam as cartilagens e os tendões bovinos. Cozidos por várias horas, eles se transformam numa gelatina natural. Esta base é misturada, no caso das geleias industrializadas, com açúcar, espessantes, corantes e aromatizantes.

(Para contar essa história, agradeço a ajuda do chef Renato Freire, autor do livro “Confeitaria Colombo – Sabores de uma cidade – 120 anos (1894-2014)”, escrito em coautoria com o historiador Antonio Edmilson Martins Rodrigues e publicado pela Edições de Janeiro.)

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