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Chocolates Lacta: as histórias do Sonho de Valsa, do Bis e do Diamante Negro

A palavra Lacta vem do latim “lactis”, que significa leite. A história começa em 21 de janeiro de 1912. O cônsul suíço Achilles Isella e um grupo de 21 acionistas criaram a Société Anonyme des Chocolats Suisse de São Paulo. A ideia era produzir no Brasil chocolates com a mesma qualidade dos importados. Com máquinas trazidas da Alemanha e da Suíça, a empresa fazia chocolates em forma de meia-lua e os vendia numa loja própria, chamada A Suíça, no bairro da Vila Mariana. Com o início da Primeira Guerra Mundial em 1914, houve uma reviravolta na história. Ficou difícil importar produtos da Europa. A empresa Zanotta, Lorenzi & Cia., que até então importava os tabletes da marca francesa Poulain Lacta, decidiu comprar a fábrica do cônsul suíço em 1916. A marca Lacta foi adquirida em 1917 pelos imigrantes italianos da Zanotta e Lorenzi, que também lançaram no mercado o Guaraná Espumante. O nome Lacta estampou naquele ano o primeiro anúncio luminoso instalado na cidade de São Paulo

O bombom Sonho de Valsa foi lançado pela Lacta em 1938. Ele era vendido por quilo em bombonières especialmente para mulheres. Quatro anos depois, em 1942, o bombom aumentou de tamanho – sim, naquele tempo, os produtos aumentavam de tamanho – para atrair o público masculino. Passaram a ser vendidos por unidades em bares e armazéns com o slogan: “Saboreie um bombom com a sua namorada”. Em determinada época, as embalagens traziam – além do casal dançando – um trecho da partitura da opereta “Walzertraum” [Sonho de Valsa], do compositor austríaco Oscar Straus, de 1907. A Lacta foi vendida em 1996 para a Kraft Foods, hoje Mondeléz International. Muita coisa mudou no chocolate e na embalagem. O bombom, que chegou a ter 50 gramas, pesa atualmente 20 gramas. As duas camadas de chocolate que envolviam o bombom foram substituídas por uma cobertura sabor chocolate.

O Diamante Negro foi lançado em 1932 com o nome de Chocolate Lacta. Acabou rebatizado em 1940 depois do sucesso de Leônidas da Silva na Copa do Mundo de 1938. O Brasil terminou em terceiro lugar. O jogador da Seleção Brasileira e do São Paulo foi artilheiro do Mundial. O apelido “Diamante Negro” teria sido dado pelo jornalista francês Raymond Thourmagem, da revista “Paris Match”. André Ribeiro, autor da biografia “O Diamante Eterno”, no entanto, diz que o apelido foi dado pelo jornal carioca “Diário da Noite”, em 25 de novembro de 1935. Leônidas chegou a gravar alguns comerciais do chocolate, mas nunca recebeu mais do que os 2 contos de réis pelos direitos de imagem.

O Bis, outro campeão de vendas da empresa, chegou no mercado em 1942. Foi o primeiro produto lançado depois que Adhemar de Barros, interventor do governo Getúlio Vargas em São Paulo e depois governador do Estado, comprou a empresa. O Bis usava a mesma base do wafer que serviu de molde para o Sonho de Valsa.

A Lacta foi uma das pioneiras da venda de ovos de Páscoa no Brasil, em 1940. Vale dizer que a Chocolates Garoto reivindica essa primazia (só que a empresa capixaba diz que lançou os primeiros ovos de chocolate no mercado brasileiro em 1954).

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