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Padre José de Anchieta (1534-97)

 

Nascido em Tenerife, uma das Ilhas Canárias (Espanha), José de Anchieta tinha 19 anos quando chegou a Salvador, em 13 de julho de 1553, depois de 2 ½ meses de viagem. Logo foi chamado por Manuel da Nóbrega, vice-provincial da capitania de São Vicente, onde se situava a pequena aldeia de Piratininga. Os jesuítas necessitavam urgentemente de tradutores e intérpretes para falar o tupi, língua dos índios no litoral brasileiro. Foram mais dois meses de viagem para ir da Bahia ao planalto paulista.

Um mês depois de sua chegada, em 25 de janeiro de 1554, foi inaugurado o colégio jesuíta da Vila de Piratininga, data hoje comemorada com a da fundação de São Paulo. Escreveu Anchieta: “Celebramos em paupérrima e estreitíssima casinha a primeira missa, no dia da conversão do apóstolo São Paulo, e por isso dedicamos a ele a nossa casa”. Ali moravam 13 jesuítas que tinham a sue cargo duas aldeias de índios com quase mil pessoas. Ele viu Piratininga ser atacada pelos tupis numa luta que durou dois dias. Com a ajuda dos índios convertidos, a vila resistiu e os tupis acabaram fugindo.

Anchieta se aplicava em escrever a primeira gramática “da língua usada na costa do Brasil”, o tupi-guarani, que seria publicada em Coimbra, Portugal, no ano de 1595.

Alguns biógrafos dizem que ele sofria de dores na coluna vertebral e que, ao tornar-se noviço, já andava arqueado. Outros garantem que uma escada da biblioteca do colégio caiu-lhe nas costas e, com o correr dos anos, as conseqüências do acidente o deixaram quase corcunda.

O jesuíta era um homem habituado a longas caminhadas. Percorria a pé, em menos de 24 horas, o trajeto de 100 quilômetros entre a aldeia de Reritiba, ponto remoto do litoral da capitania do Espírito Santo, onde morava, e o Colégio São Tiago, residência oficial dos jesuítas em Vitória, na segunda metade do século XVI. Andava tão rápido que os índios o apelidaram de caraibebe, ou “homem de asas”, em tupi.

Quando morreu, em 9 de junho de 1597, aos 63 anos, na aldeia de Reritiba (hoje Anchieta), fundada por ele, os índios disputaram com os portugueses a honra de carregar o corpo dele até a igreja de São Tiago. Seus restos mortais ficaram lá até 1609. Na cidade foi criado o Santuário Nacional do Beato, que engloba a igreja Nossa Senhora de Assunção e o Museu de Anchieta.

 

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