Foram quarenta livros, entre romances adultos e juvenis, contos e paradidáticos. De 1953 a 1999, ele vendeu cerca de 5 milhões de exemplares, marca alcançada por pouquíssimos escritores brasileiros. Trabalhou como redator publicitário, dramaturgo e roteirista. Escreveu oito novelas para a televisão, 32 chanchadas para o cinema e centenas de crônicas para jornais e revistas. Só que pouco se ouvirá falar hoje de Marcos Rey, que nasceu Edmundo Donato em 17 de fevereiro de 1925, há exatos 100 anos (o pseudônimo viria apenas em 1942). Arrisco dizer que Marcos Rey é o mais injustiçado escritor brasileiro.
Os dezesseis títulos juvenis de Marcos lançados pela Coleção Vaga-Lume me fizeram querer ser escritor. Li e reli todos eles, que continuam guardados comigo até hoje. Em 1995, eu escrevi meu primeiro romance juvenil, “Jogo Sujo”, e enviei os originais para a Editora Ática. Depois de algumas idas e vindas, realizei meu sonho: o livro foi publicado na mesma Vaga-Lume. Contei para Carmen Lúcia Campos, que era a responsável pela coleção, que a inspiração de “Jogo Sujo” tinha sido “O rapto do Garoto de Ouro” e falei de minha admiração pelos textos de Marcos Rey. Sem que eu soubesse, ela enviou um exemplar do meu livro a Marcos. Ele então me presenteou com o seu “Gincana da Morte” e uma dedicatória que virou troféu: “Mil jovens leitores da Vaga-Lume devem ter sonhado entrar para o time. Conheci diversos. Só você conseguiu. Parabéns! O resto vai ser muito mais fácil”.
Publiquei outros quatro livros na Vaga-Lume. Hoje já são catorze romances juvenis no total. No ano passado, lancei “Detetive Vaga-Lume e o misterioso caso do Escaravelho”, que serviu como celebração dos 50 anos da Coleção Vaga-Lume e também como uma homenagem a Marcos. Na data do centenário de seu nascimento, só tenho que agradecer cada trama, cada personagem, cada desfecho de suas histórias. Muito obrigado, Marcos Rey!
(Para quem quiser conhecer a vida e a obra do autor, recomendo a biografia “Maldição e glória – A vida e o mundo do escritor Marcos Rey”, de Carlos Maranhão, lançada pela Companhia das Letras, em 2004).